A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal chega ao 14º dia nesta quarta-feira (23), sem previsão de encerramento. Os trabalhadores cruzaram os braços em 10 de setembro e já rejeitaram duas propostas apresentadas pela instituição durante as negociações para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
Segundo o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, a mobilização continua em diferentes partes do país. Na região Sudeste, 293 agências estão fechadas, distribuídas entre as sete regionais de atuação da entidade. Algumas unidades, no entanto, retomaram o atendimento de forma pontual.
A categoria ainda não estabeleceu uma data para o fim da paralisação. De acordo com o sindicato, os trabalhadores pretendem manter o movimento enquanto buscam um acordo para a renovação do ACT. A última proposta apresentada pela Caixa foi rejeitada por 59,3% dos votos.
Entre os principais pontos discutidos está o Saúde Caixa. A instituição propôs elevar de 6,5% para 9% o limite de participação do banco no custeio do plano, com impacto na folha de pagamento a partir de 2027. A proposta também previa a manutenção do pacto intergeracional e do plano de saúde no acordo coletivo.
Para 2026, não haveria reajuste nas mensalidades do Saúde Caixa, e a instituição assumiria o déficit do plano. A partir de 2027, a contribuição do titular seria equivalente a 3,7% da remuneração-base.
Para os dependentes diretos, a mensalidade prevista seria de R$ 560. Já os dependentes indiretos teriam valores diferentes conforme a faixa etária. Filhos de 21 a 24 anos pagariam R$ 660 por mês, enquanto filhos de 24 a 27 anos e pais ou mães remanescentes teriam mensalidade de R$ 900.
A proposta também previa reduzir para R$ 120 a cobrança por consultas em pronto atendimento e manter a isenção de coparticipação nos serviços de telemedicina.
Outro ponto das negociações envolve o Super Caixa, programa de remuneração variável da instituição. Algumas mudanças seriam aplicadas já no segundo semestre de 2026.
Uma das alterações propostas seria a utilização do NS (Negócios Sustentáveis) individual para a habilitação dos empregados, em vez da nota da unidade. A medida evitaria que todos os trabalhadores de uma agência fossem afetados por ocorrências relacionadas a apenas um funcionário. No caso do gestor-chefe, a avaliação continuaria baseada nos indicadores da unidade.
O CSAT, índice utilizado para medir a satisfação dos clientes, também deixaria de ser aplicado individualmente aos demais empregados e permaneceria para o gestor-chefe. Nos casos em que não houvesse NS individual calculado, continuaria sendo considerado o resultado da unidade.
A habilitação inicial no Super Caixa passaria a garantir 50% da premiação, contra os atuais 25%. Segundo a proposta apresentada pela instituição, o empregado poderia alcançar 100% do valor da remuneração conforme a evolução dos indicadores de desempenho de cada dimensão do Alcance.Caixa.
A Caixa também informou que pretendia acelerar a atualização das vendas e dos resultados no painel do programa. Quando o lançamento não pudesse ser feito imediatamente, a informação deveria ser disponibilizada em até cinco dias úteis após a confirmação do pagamento pelo cliente.
As negociações também envolvem questões relacionadas à carreira e às condições de trabalho. Para os técnicos de Tecnologia da Informação (TI), a Caixa informou que o estudo de um piso salarial específico foi incorporado ao trabalho realizado pela consultoria Deloitte.
O trabalho remoto também deverá ser discutido no Grupo de Trabalho Trajetória. Segundo a instituição, o objetivo é avaliar possíveis mudanças e melhorias no modelo atualmente adotado. A empresa afirmou que pretende realizar reuniões específicas, com cronograma e prazo para a conclusão das discussões.
Outra proposta mantida pela Caixa é o pagamento de um prêmio de R$ 3 mil por empregado. O valor seria concedido como reconhecimento pelo cumprimento do Índice de Eficiência Operacional de 2026.