Dormir pouco pode afetar atenção, humor e raciocínio já no dia seguinte

Especialista explica efeitos da privação de sono e orienta hábitos para melhorar o descanso

Uma única noite de sono insuficiente pode provocar efeitos perceptíveis no dia seguinte, como irritação, cansaço, dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e aumento do tempo de reação. Segundo especialistas, a privação de sono também pode prejudicar a capacidade de aprender, tomar decisões e controlar as emoções, além de favorecer erros e acidentes em atividades que exigem atenção. Dados do Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde realizado nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, apontam que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite, enquanto 31,7% relatam pelo menos um sintoma de insônia.

Foto: Reprodução | Divulgação

A professora Milca Abda, do IDOMED, especialista em higiene do sono e na relação entre sono e humor, explica que os impactos podem aparecer logo após uma noite mal dormida. “Se a pessoa tem uma noite de sono ruim, terá um ritmo de raciocínio mais lento já no dia seguinte. Isso pode acabar impactando o seu desempenho nas atividades, seja no trabalho, nos estudos ou em casa também”, afirma. A redução da velocidade de resposta também pode aumentar os riscos em situações que exigem reação rápida, como dirigir, trabalhar com máquinas pesadas ou utilizar instrumentos cortantes. Alterações no humor, como irritação, impaciência e dificuldade para lidar com tarefas cotidianas, também estão entre os efeitos mais comuns.

Quando a falta de sono deixa de ser ocasional e passa a se repetir por semanas, meses ou anos, os impactos podem ser mais amplos. De acordo com Milca, a privação crônica está associada a um risco maior de problemas como doenças cardiovasculares, hipertensão, obesidade, diabetes e depressão, além de comprometer de forma persistente memória, atenção e funcionamento emocional. Pesquisas também investigam a relação entre alterações prolongadas do sono e doenças neurodegenerativas. A especialista ressalta, porém, que associação não significa necessariamente causa, já que o desenvolvimento dessas condições envolve diferentes fatores. Mesmo a perda de uma ou duas horas de sono por noite de forma consecutiva pode provocar deterioração progressiva do desempenho e aumentar a dificuldade para realizar tarefas e evitar erros.

A qualidade do sono também depende dos hábitos mantidos ao longo do dia. Entre as recomendações estão praticar atividade física regularmente e buscar exposição à luz natural pela manhã, inclusive abrindo as cortinas para sinalizar ao organismo o início do dia. À noite, a orientação é reduzir estímulos, evitar refeições muito pesadas próximas ao horário de dormir, diminuir o uso de telas e deixar a iluminação da casa menos intensa. Atividades tranquilas também podem ajudar na transição para o descanso. Para a especialista, cuidar do sono deve fazer parte da rotina, já que uma noite adequada contribui para o funcionamento físico, cognitivo e emocional.

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