A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou neste sábado (10) que acionará o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) por suspeita de interferência da Meta, empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook, na disputa presidencial de 2026. Os petistas afirmam que falhas nas plataformas podem estar prejudicando a divulgação de conteúdos favoráveis ao presidente e beneficiando o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A denúncia foi apresentada pelo secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, durante uma entrevista no comitê da campanha, em Brasília. Segundo ele, a equipe identificou problemas relacionados ao impulsionamento de publicações, à distribuição de conteúdos e ao funcionamento da conta de anúncios de Lula.
O partido sustenta que a sequência de falhas levanta suspeitas sobre o tratamento dado pela plataforma aos candidatos. Até o momento, porém, as informações divulgadas pela campanha não comprovam que a Meta tenha atuado deliberadamente para favorecer Flávio Bolsonaro.
Entre os episódios citados pelo PT está a desativação da conta de anúncios de Lula durante o primeiro turno. A campanha afirma que a conta foi retirada do ar sem uma justificativa formal satisfatória.
Os petistas também relatam uma interrupção no crescimento das visualizações de uma publicação do presidente em 8 de outubro e dificuldades para impulsionar conteúdos do feed do Instagram entre os dias 9 e 10 deste mês.
De acordo com Valadares, a Meta atribuiu os problemas a falhas técnicas que também teriam atingido outros anunciantes. A campanha, no entanto, afirma que não recebeu evidências de que as mesmas dificuldades tenham afetado outros candidatos à Presidência.
O PT também relembrou um episódio ocorrido em dezembro de 2025, quando usuários relataram dificuldades para localizar perfis de Lula e de lideranças de esquerda nas buscas do Instagram. Na ocasião, a empresa atribuiu o caso a um problema técnico.
A campanha também apresentou um levantamento da Secretaria Nacional de Comunicação do PT segundo o qual o perfil de Flávio Bolsonaro registrava, em média, 2,96 vezes mais engajamento que o de Lula, apesar de ter 17,2% menos seguidores.
O partido questiona se o funcionamento dos algoritmos da plataforma pode explicar essa diferença. O dado, isoladamente, não comprova favorecimento político, já que o engajamento também pode variar conforme o formato das publicações, o comportamento dos usuários e outros fatores.
Diante dos problemas relatados, o PT pretende pedir providências aos órgãos responsáveis pela fiscalização eleitoral e pela proteção de dados pessoais. O objetivo, segundo a campanha, é obter explicações sobre as falhas e garantir tratamento igualitário aos candidatos durante o segundo turno.
Na sexta-feira (9), a coligação de Lula informou ter apresentado representações ao TSE sobre a suposta redução do alcance de publicações favoráveis ao presidente, conteúdos considerados desinformativos e uma iniciativa envolvendo distribuição de criptomoedas para estimular a divulgação de material favorável a Flávio Bolsonaro.
A campanha de Flávio, por sua vez, acionou o TSE contra Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin, questionando uma rede de perfis que, segundo seus advogados, estaria difundindo publicações enganosas contra o senador. As acusações apresentadas pelas duas campanhas ainda precisam ser analisadas pela Justiça. O caso envolvendo a Meta também depende de esclarecimentos sobre as falhas relatadas e de elementos que permitam verificar se houve tratamento desigual entre os candidatos.