O poeta do fim do mundo

No Dia do Poeta, escrever também é resistir

Hoje, 20 de outubro, é Dia do Poeta. A data me faz recordar uma pergunta que já me fizeram: por que escolhi encerrar minhas poesias com a expressão “O Poeta do Fim do Mundo”?

Foto: Reprodução | Divulgação

Na comunicação, uma frase que identifica uma pessoa ou uma marca é conhecida como slogan. Optei por essa expressão porque, em um cenário no qual a poesia e a cultura são desvalorizadas, escrever se torna um ato de resistência, quase um desafio apocalíptico.

Esse título representa a solidão de quem cria diante da indiferença, mas também a coragem de continuar produzindo quando tudo ao redor parece desmoronar. A cultura, tantas vezes negligenciada, permanece viva graças àqueles que fazem da arte uma escolha e escrevem por amor, sem depender do reconhecimento alheio.

Produzir poesia em um contexto adverso é preservar a essência artística e resistir ao esquecimento. Escrevemos porque sentimos, porque pensamos e porque desejamos transformar em palavras aquilo que nos atravessa. A poesia nasce dessa necessidade de expressão, mesmo quando poucos estão dispostos a ler ou compreender.

No fim do mundo, onde a arte parece interessar a cada vez menos pessoas, o poema se transforma em manifesto. É a demonstração de que a beleza, a sensibilidade e a reflexão ainda têm valor, embora nem todos consigam percebê-las.

Essa compreensão, porém, exige um olhar atento e um coração aberto. Para quem não enxerga além da superfície, a poesia pouco significa. Como costumo dizer, com a ironia que também faz parte da minha maneira de escrever: para os caolhos, tanto faz.

Neste "Dia do Poeta" , celebro aqueles que continuam escrevendo por amor à palavra, mesmo diante da indiferença. Porque a poesia não precisa da aprovação de todos para existir, nem do aplauso de muitos para cumprir seu papel.

Enquanto houver alguém disposto a escrever, haverá poesia. E, mesmo no fim do mundo, a palavra encontrará uma maneira de permanecer.

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