Lula formaliza aceite às 19 exigências de Flávio para abertura de sigilos

Campanhas anunciam acordo no TSE, mas divulgação dos dados ainda depende de análise judicial

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou nesta quinta-feira (22), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma resposta em que aceita as 19 condições apresentadas por Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos. A entrega formaliza a concordância anunciada no dia anterior e foi seguida de um acordo entre as equipes sobre as informações que deverão ser disponibilizadas.

Foto: Reprodução
Camilo Santana (PT-CE), Edinho Silva, Guilherme Boulos (Psol), e a deputada federal Camila Jara (PT-MS)

Participaram da apresentação do documento o senador Camilo Santana (PT-CE), o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), e a deputada federal Camila Jara (PT-MS). A movimentação ocorre a três dias do segundo turno, marcado para domingo (25).

As exigências do candidato do PL ampliam o alcance da proposta inicial de Lula. Entre os dados solicitados estão os de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência, e de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente. Flávio também pediu registros de entrada da empresária Roberta Luchsinger no Palácio do Planalto. Na quarta-feira, Camilo já havia afirmado que Lula concordava com as condições, desde que o adversário também atendesse integralmente ao pedido petista.

Mesmo com o entendimento, a defesa de Flávio manteve a cobrança pela conferência do material apresentado. Em entrevista no TSE, a advogada Maria Claudia Bucchianeri disse que a equipe pretende verificar o cumprimento das exigências antes de disponibilizar os documentos do senador. “Se eles trouxerem tudo, a gente traz”, afirmou. A campanha também escalou o ex-procurador Deltan Dallagnol para analisar os registros.

Um dos pontos de divergência foi a inclusão da Alcazar Holdings, empresa do advogado Willer Tomaz. Edinho afirmou que os representantes de Flávio inicialmente resistiram à abertura dos dados da companhia, mas aceitaram mantê-la no acordo. A divulgação das informações ainda depende da análise judicial, sob responsabilidade do ministro André Mendonça, relator do processo no TSE.

Posteriormente, a própria Alcazar apresentou uma petição concordando com a abertura do sigilo de suas contas, segundo reportagem do UOL. A empresa negou que Flávio seja ou tenha sido sócio, administrador ou beneficiário e declarou que Willer Tomaz detém a totalidade de seu capital. A manifestação ocorre diante de registros atribuídos à Polícia Federal que apontam o senador como “usuário master” de uma conta da companhia. Flávio e Willer negam manter negócios em conjunto.

O acordo trata das autorizações e das condições para acesso às informações. Até as atualizações consultadas, os registros bancários, fiscais e telefônicos não haviam sido divulgados ao público. A equipe de Flávio informou que encaminharia os documentos solicitados até as 23h59 desta quinta-feira e alegou que ainda faltavam informações sobre o cartão corporativo da Presidência e o Instituto Lula no material apresentado pelo adversário.

A disputa começou no debate da Band, no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a abrir seus dados e os de familiares. Na terça-feira (20), o petista apresentou uma autorização condicionada à reciprocidade do senador. Flávio respondeu na quarta com as exigências adicionais, aceitas pela campanha de Lula e formalizadas nesta quinta.

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