Metade dos brasileiros tem medo de ir ao dentista, aponta pesquisa

Levantamento com 500 adultos revela que receio da dor e experiências negativas levam pacientes a adiar consultas

Metade dos brasileiros entrevistados em uma pesquisa da Simples Dental afirma ter medo de ir ao dentista. O levantamento, realizado com 500 adultos de todas as regiões do país, também identificou que 57% dos participantes já adiaram consultas odontológicas por seis meses ou mais devido ao receio ou à ansiedade relacionados ao atendimento.

Foto: Freepik

Os dados foram divulgados durante o Mês do Dentista, celebrado em outubro, e mostram que o medo pode interferir diretamente na frequência com que as pessoas procuram cuidados com a saúde bucal. Entre os entrevistados, 20% relataram episódios de ansiedade antes das consultas.

A dor, as agulhas e a anestesia aparecem como os principais motivos de preocupação, mencionados por 64,6% dos participantes. Experiências negativas em atendimentos anteriores, especialmente durante a infância, foram citadas por 50,2%, enquanto 36,2% apontaram o barulho, o cheiro ou a aparência dos equipamentos odontológicos.

O receio também influencia o adiamento dos tratamentos. Segundo a pesquisa, 35% dos entrevistados afirmaram já ter deixado de procurar atendimento por pelo menos seis meses, enquanto outros 22% relataram períodos superiores a um ano sem consultas pelo mesmo motivo.

Atendimento acolhedor pode reduzir resistência

O estudo identificou que 76% dos participantes tiveram uma percepção mais positiva dos dentistas após experiências de atendimento acolhedor. Entre os aspectos valorizados estão explicações claras sobre os procedimentos, maior cuidado durante o tratamento e a possibilidade de fazer pausas quando necessário.

Para Samuel Suhwan Oh, diretor de Marketing da Simples Dental, experiências anteriores podem influenciar a relação dos pacientes com os profissionais durante muitos anos.

“Muitas vezes, o paciente chega ao consultório carregando experiências anteriores, algumas delas desde a infância, o que pode acompanhar a pessoa pelo resto da vida e influenciar a forma como ela cuida da própria saúde bucal”, afirma.

A pesquisa também apontou que seis em cada dez entrevistados possuem um dentista de confiança, com quem se sentem confortáveis para conversar sobre dúvidas e preocupações relacionadas ao tratamento.

O acolhimento aparece ainda como um fator considerado na escolha do profissional. Entre os participantes, 34,4% afirmaram que pagariam 10% a mais por consultas com atendimento humanizado. Outros 23,2% aceitariam pagar até 20% a mais, enquanto 14,4% mencionaram um acréscimo de até 30%.

Proteção de dados também preocupa pacientes

Além das questões relacionadas aos procedimentos, a pesquisa investigou a percepção dos participantes sobre o uso de informações pessoais pelas clínicas odontológicas.

Para 64,2% dos entrevistados, a proteção de dados está entre os aspectos mais importantes na relação com os consultórios. A facilidade para agendar e confirmar consultas foi mencionada por 61,4%.

Apesar dessa preocupação, 58,8% relataram que, em suas experiências, as clínicas não solicitaram autorização ou não explicaram como armazenavam e utilizavam seus dados pessoais.

O levantamento foi realizado entre 16 e 19 de outubro de 2026, com 500 adultos conectados à internet. Segundo a empresa responsável, a pesquisa apresenta nível de confiança de 95% e margem de erro de 3,3 pontos percentuais.

Por se tratar de uma amostra de pessoas com acesso à internet, os resultados devem ser interpretados considerando esse recorte, sem necessariamente representar toda a população brasileira.

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