Guerra no Oriente Médio ameaça empurrar milhões para a fome

Alta do petróleo e falta de recursos reduzem ajuda em países vulneráveis

A escalada do conflito no Oriente Médio está agravando a insegurança alimentar em diversas regiões do mundo e pode levar milhões de pessoas à fome, segundo alerta divulgado pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), agência das Nações Unidas responsável pelo combate à fome.

Foto: /Majid Asgaripour/Wana (Agência de Notícias da Ásia Ocidental) via Reuters
Moradores observam danos em edifício atingido durante a escalada do conflito no Oriente Médio.

De acordo com o organismo, o aumento dos preços dos combustíveis provocado pela guerra tem elevado os custos de transporte e encarecido os alimentos, enquanto a escassez de recursos financeiros compromete a capacidade de resposta das organizações humanitárias.

A crise se intensificou após a ampliação dos confrontos envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que afetaram importantes rotas marítimas da região, incluindo o Estreito de Ormuz. A interrupção de corredores estratégicos para o comércio internacional tem pressionado os mercados globais de energia e provocado impactos em cadeias de abastecimento ao redor do mundo.

O PMA já havia alertado, em março, que a manutenção do petróleo em torno de US$ 100 por barril poderia empurrar até 45 milhões de pessoas para a insegurança alimentar aguda. Segundo a agência, esse cenário está se concretizando com a permanência dos preços em níveis elevados nos últimos meses.

Entre os países mais afetados estão Afeganistão, Somália e Sri Lanka, onde famílias enfrentam a combinação de alimentos mais caros, aumento dos custos de energia, perda de renda e dificuldades no comércio internacional.

Na Somália, a expectativa é que 6,5 milhões de pessoas enfrentem fome severa ao longo de 2026, o equivalente a cerca de um terço da população. No Afeganistão, o número de pessoas em situação crítica pode chegar a 17,4 milhões. Caso as interrupções persistam, outros milhões de habitantes dos dois países poderão ingressar em condições de insegurança alimentar.

O cenário é agravado pela falta de financiamento das operações humanitárias. O Programa Mundial de Alimentos estima que deixará de atender 1,5 milhão de pessoas neste ano por insuficiência de recursos. Se a crise se prolongar por mais seis meses, esse contingente poderá alcançar 9 milhões.

Na Somália, os estoques de alimentos destinados a crianças com menos de cinco anos que sofrem de desnutrição moderada devem se esgotar já em julho. Segundo a agência, o programa local enfrenta um déficit de financiamento de 89%, comprometendo a continuidade das ações de assistência.

Para especialistas do PMA, a combinação entre guerra, encarecimento de insumos e redução das doações internacionais cria um cenário de forte deterioração humanitária, com impacto direto sobre populações já expostas à pobreza e à vulnerabilidade alimentar.

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