Tecnologia forense amplia acesso da PF a dados de celulares apreendidos

Ferramentas digitais e técnicas físicas permitem extrair informações e preservar provas em investigações

A Polícia Federal utiliza tecnologias avançadas para extrair dados de celulares apreendidos, mesmo quando os aparelhos estão desligados, bloqueados por senha ou sem conexão com a internet. O trabalho combina softwares especializados, isolamento físico dos dispositivos e, em casos extremos, a desmontagem de componentes para garantir a preservação das informações.

Foto: Reprodução
PF usa tecnologia avançada para acessar dados de celulares apreendidos

A perícia digital em celulares se tornou uma das principais frentes de investigação da Polícia Federal no Brasil. Softwares de uso restrito, como o israelense Cellebrite e o americano Greykey, permitem acessar mensagens, arquivos e registros internos de aparelhos com sistemas Android e iOS, mesmo quando protegidos por senha.

Antes de qualquer tentativa de extração, os peritos adotam medidas para impedir a perda de dados. O celular apreendido é colocado em recipientes que funcionam como uma Gaiola de Faraday — bolsas ou caixas revestidas com material metálico que bloqueiam sinais externos, como internet e rede móvel. A estratégia evita que o proprietário apague informações remotamente.

Segundo o perito em segurança digital Wanderson Castilho, o procedimento varia conforme o estado do aparelho. Quando o celular está ligado, mas com a tela bloqueada, os programas tentam identificar ou quebrar a senha por meio de conexão física, geralmente via cabo USB. Já em casos em que o dispositivo está desligado, danificado ou inacessível, a perícia pode recorrer à técnica conhecida como chip off.

Nesse método, o aparelho é desmontado e o chip de memória é retirado fisicamente para que os dados armazenados sejam lidos em outro equipamento. Trata-se de uma técnica invasiva, usada apenas quando não há alternativa digital viável.

O tempo é um fator decisivo no sucesso da perícia. Embora arquivos não desapareçam com facilidade, algumas informações essenciais — como registros temporários que ajudam a decifrar a senha — podem ser perdidas se o aparelho for reiniciado. Por isso, a extração costuma ser feita o mais rápido possível após a apreensão.

Fabricantes de sistemas operacionais também têm adotado medidas de segurança para dificultar o acesso forense. Desde 2024, versões do iOS passaram a reiniciar automaticamente aparelhos que permanecem bloqueados por mais de três dias, o que aumenta a complexidade do trabalho pericial.

As licenças de softwares como Greykey e Cellebrite podem custar cerca de US$ 50 mil por ano, refletindo o alto nível tecnológico exigido nas investigações que envolvem dados digitais.

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