PCC usava fintechs para ocultar dinheiro de fraude em combustíveis

MP de São Paulo aponta que instituições digitais operavam como “bancos paralelos”

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apontou que fintechs eram usadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para movimentar recursos ligados a fraudes fiscais e adulteração de combustíveis na Grande São Paulo. A informação veio à tona nesta quinta-feira (28), durante a Operação Fluxo Oculto, desdobramento da investigação Carbono Oculto.

Foto: Caixa Economica Federal/Divulgação
Operação investiga uso de fintechs em esquema ligado ao PCC.

Segundo o MP, seis instituições financeiras digitais atuavam como uma espécie de “banco paralelo” da organização criminosa. As empresas eram utilizadas para transferências entre distribuidoras e postos de combustíveis, pagamento de funcionários e até despesas pessoais de integrantes do esquema.

As investigações indicam que o grupo adulterava combustíveis com nafta, solvente derivado do petróleo, e utilizava empresas de fachada registradas em nomes de familiares, presos e pessoas em situação de vulnerabilidade para simular operações legais. O combustível adulterado era comercializado em postos da Grande São Paulo.

De acordo com o Ministério Público, os lucros obtidos com o esquema e a sonegação fiscal eram ocultados por meio das fintechs e de fundos de investimento suspeitos de lavagem de dinheiro.

Ao todo, quatro fundos estão sob investigação e concentram patrimônio estimado em R$ 205 milhões. Segundo os promotores, os investimentos apresentaram crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano.

A operação cumpre 55 mandados de busca e apreensão com apoio das polícias Civil e Militar, Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e secretarias estaduais da Fazenda.

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