Um motorista de aplicativo de 48 anos foi preso preventivamente na manhã desta sexta-feira (29), em Teresina, suspeito de gravar relações sexuais sem autorização das vítimas e comercializar os vídeos em grupos de mensagens. Segundo a Polícia Civil do Piauí, pelo menos sete mulheres já denunciaram o investigado, que cobrava R$ 75 pelo acesso ao conteúdo íntimo.
De acordo com o Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), o suspeito, identificado como José Cleuton da Silva, utilizava objetos adaptados com celulares escondidos para registrar os encontros sem que as mulheres percebessem. As gravações eram armazenadas e vendidas por meio de perfis e robôs automatizados no aplicativo Telegram.
As investigações começaram após vítimas procurarem a polícia no último dia 21 de maio relatando que vídeos íntimos estavam circulando na internet. Segundo o delegado Humberto Mácola, responsável pelo caso, algumas mulheres chegaram a receber mensagens de pessoas de outros estados informando sobre a divulgação das imagens.
Ainda conforme a polícia, os registros foram feitos ao longo de mais de dez anos e parte das vítimas era menor de idade na época dos fatos. Por isso, além do crime de divulgação de cena de sexo sem consentimento, o caso também será enquadrado no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Durante o cumprimento do mandado, os policiais apreenderam objetos usados para esconder as câmeras. Segundo o DRCC, o investigado fazia perfurações discretas em pastas e outros materiais para posicionar o celular sem levantar suspeitas.
A polícia também identificou que o suspeito utilizava fotos atuais das vítimas retiradas das redes sociais para divulgar o material nas plataformas clandestinas. Mesmo após contas serem derrubadas, ele teria criado novos links para continuar comercializando os vídeos.
Na residência do investigado, os agentes ainda encontraram garrafas, lacres e tampas de bebidas alcoólicas de marcas conhecidas, o que levantou suspeitas de falsificação de produtos. O material foi apreendido e será analisado pela perícia.
José Cleuton permanece preso e deve passar por audiência de custódia. A Polícia Civil não descarta o surgimento de novas vítimas.