A Argentina iniciou nesta quarta-feira (9) a extradição para o Brasil do argentino Diego Hernan Dirísio, conhecido como “Mestre das Armas”. Ele é suspeito de comandar um esquema internacional de tráfico de armamentos e de ter vendido pelo menos 43 mil armas para integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho.
Segundo a Polícia Federal brasileira, Dirísio seria o maior traficante de armas da América do Sul. A transferência foi realizada sob forte esquema de segurança e começou no Aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires. O voo tinha como destino São Paulo.
De acordo com as informações da investigação, Dirísio chegou à capital paulista ainda na noite de quarta-feira, em uma operação coordenada pela Secretaria Nacional de Justiça (Senajus) e pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI).
As autoridades brasileiras apontam que Dirísio liderava a organização criminosa ao lado da sócia, Julieta Vanessa Nardi Aranda. O grupo teria movimentado cerca de R$ 1,2 bilhão ao longo de três anos, segundo as investigações.
Dirísio foi preso em fevereiro de 2024, na cidade argentina de Córdoba, após ser alvo de um mandado de prisão internacional e de um alerta vermelho da Interpol solicitado pelas autoridades brasileiras. Desde então, ele permanecia sob custódia na província de Córdoba.
Cerca de um mês depois da prisão, a Justiça Federal na Bahia solicitou a extradição de Dirísio e de Julieta Nardi para que o casal pudesse cumprir pena no Brasil.
As investigações apontam que, desde 2012, o grupo importou cerca de 25 mil pistolas, fuzis e munições de fabricantes europeus sediados em países como Croácia, Eslovênia, República Tcheca e Turquia. Os armamentos entravam legalmente no Paraguai e, posteriormente, eram contrabandeados para o Brasil.
O caso começou a ser investigado em 2020, após a Polícia Rodoviária Federal apreender 23 pistolas e dois fuzis na Bahia. Na época, Dirísio atuava como presidente de uma empresa voltada à importação e comercialização de armas, enquanto Nardi ocupava a vice-presidência.
Segundo a polícia, os números de série das armas eram apagados antes do transporte para o Brasil. A prática tinha como objetivo dificultar a identificação e o rastreamento dos armamentos.
A investigação também apontou a existência de uma estrutura financeira utilizada para dificultar o rastreamento dos pagamentos. Conforme as apurações, os valores eram movimentados por meio de cambistas informais que atuavam entre o Paraguai e os Estados Unidos. Posteriormente, o dinheiro era enviado para a Europa para quitar os carregamentos de armas.