O Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e a Receita Federal deflagraram, nesta quinta-feira (24), a Operação Crédito Oculto, que dá continuidade às investigações da Operação Carbono Oculto.
A ação cumpre mandados de busca e apreensão em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo.
Entre os investigados estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-diretor do Banco Genial, e o empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, proprietário da Entre Investimentos.
Freixo é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master. O empresário também firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com as investigações, a empresa de Mineiro teria sido usada para movimentações financeiras atribuídas a Vorcaro relacionadas à produção de “Dark Horse”, filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A defesa de Antônio Carlos Freixo Junior informou que não pretende se manifestar sobre a operação.
Em relação a Humberto Tupinambá, o Banco Genial afirmou que ele não faz mais parte da instituição. Segundo o banco, o executivo deixou a diretoria e a sociedade em maio de 2026, após ser destituído.
Veja a nota na íntegra:
"O Banco Genial esclarece que Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição.
Todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição foram fornecidas pela própria Genial ao GAECO-SP. Em relação às operações mencionadas, também foram realizadas as comunicações cabíveis ao COAF, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis.
No âmbito dessas operações, a Genial atuou dentro das atribuições que lhe competiam, observando os procedimentos, normas e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à instituição à época.
A partir do conhecimento dos fatos, a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição. A Genial também contou com o apoio de especialistas externos para a revisão e o aprimoramento de seus processos e controles.
Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Genial renunciou à administração do Fundo Radford e manteve sua postura de colaboração com as autoridades, fornecendo as informações e os documentos solicitados.
A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários."