A Polícia Civil de São Paulo abriu uma investigação para apurar mortes de bebês atendidos no Hospital e Maternidade Salvalus, localizado na Mooca, zona leste da capital paulista. O inquérito policial investiga seis casos, mas uma advogada que representa familiares afirma ter contato com 36 mães que perderam os filhos após atendimento na unidade ao longo dos últimos meses.
Segundo as primeiras investigações, há relatos de que as crianças teriam contraído infecções durante a internação e morrido em decorrência de sepse, choque séptico e outras complicações.
O hospital integra a rede Hapvida. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que os casos, ocorridos nos meses anteriores, foram comunicados à polícia na quarta-feira (21).
Polícia analisa prontuários e ouve testemunhas
A investigação está sob responsabilidade do 8º Distrito Policial (Brás). De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, os investigadores realizam diligências, incluindo a análise dos prontuários médicos e a tomada de depoimentos de profissionais de saúde e testemunhas, para esclarecer as causas das mortes e as circunstâncias dos atendimentos.
A advogada Eduarda Fragnan Gomes, que representa familiares das crianças, afirmou que o número de casos pode ser maior. Segundo ela, o Hospital Salvalus funciona como referência para atendimentos de alta complexidade dentro da rede, o que dificulta estimar a dimensão total das ocorrências.
Até o momento, os 36 casos mencionados pela advogada não foram apresentados como mortes oficialmente confirmadas pela investigação policial. O inquérito divulgado pelas autoridades abrange seis ocorrências.
Hospital afirma que pacientes tinham quadros graves
Em nota, a rede Hapvida afirmou que os pacientes citados apresentavam condições clínicas distintas e de elevada gravidade e receberam assistência contínua e multidisciplinar. A empresa também declarou que as condutas terapêuticas foram individualizadas, conforme as necessidades e a evolução clínica de cada criança.
A instituição informou ainda que mantém um canal de diálogo com as famílias para prestar esclarecimentos, respeitando a privacidade dos pacientes e o sigilo médico.
A investigação deverá esclarecer se houve infecções adquiridas durante as internações, possíveis falhas nos protocolos hospitalares ou outras circunstâncias que possam ter contribuído para as mortes. Até a conclusão das apurações, não há confirmação oficial de responsabilidade criminal do hospital ou de profissionais envolvidos.