Bolsonaro e Ramagem são indiciados em caso da Abin “paralela”

Ex-presidente e ex-chefe da Abin foram formalmente acusados em inquérito que investiga espionagem ilegal e tentativa de intervenção política

O ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Alexandre Ramagem foram indiciados pela Polícia Federal sob suspeita de envolvimento no esquema conhecido como “Abin paralela”, que teria utilizado a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar adversários, incluindo autoridades e jornalistas, em benefício político da família Bolsonaro.

Segundo o relatório da PF enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a “Abin paralela” operava com uso de ferramentas como o software First Mile para identificar localizações de celulares, sem autorização judicial, entre fevereiro de 2019 e abril de 2021 (correiobraziliense.com.br). Destacam-se também gravações que revelam uma reunião em 2020 em que Bolsonaro e Ramagem, juntamente com o general Augusto Heleno e advogadas de Flávio Bolsonaro, discutiram estratégias para anular investigações sobre o esquema das “rachadinhas” no gabinete do então deputado Flávio.

Foto: Reprodução
Bolsonaro e Alexandre Ramagem

A PF aponta que, na reunião, Ramagem sugeriu abrir processo administrativo contra auditores fiscais para “anular a investigação”, e o ex-presidente Bolsonaro teria concordado e buscado apoio no então secretário da Receita, José Tostes, para conter apurações que envolviam seu filho.

Além disso, integrantes da operação “Última Milha” descobriram que agentes da Abin monitoraram ministros do STF, membros do Congresso, jornalistas e servidores públicos, criando relatórios e estratégias com o objetivo de criar narrativas favoráveis ao ex-presidente e sua base, além de proteger membros da família Bolsonaro.

Ramagem foi igualmente indiciado por suposto envolvimento em uma trama para promover um golpe de Estado após as eleições de 2022 — um caso investigado na operação “Contragolpe”, que apurou a produção de uma minuta de golpe com planos para prender ministros do STF e instaurar estado de sítio .

Ambos os indiciamentos foram encaminhados ao STF. Agora, caberá ao ministro relator decidir sobre o seguimento dessas acusações e possíveis denúncias. Ramagem já negou envolvimento e atribui o esquema a ex-auxiliares; Bolsonaro, por sua vez, nega a existência da “Abin paralela” e afirma usar contatos informais para obter informações.

O que está em jogo

Monitoramento ilegal: uso do First Mile em mais de 30 mil registros para espionagem de celulares (pt.wikipedia.org).

Reunião de 2020: estratégia para blindar filho de Bolsonaro investigado por práticas ilícitas (correiobraziliense.com.br).

Tentativa de golpe: produção de minuta e mobilização de apoio político-militar pós-eleições (pt.wikipedia.org).

Próximos passos

O STF receberá o inquérito com os indiciamentos. Se aceitos, Bolsonaro e Ramagem poderão virar réus em ações penais. Até lá, suas condenações permanecerão no âmbito da investigação, que segue sendo aprofundada pela Polícia Federal.

Leia também