Um estudo internacional revelou que magistrados brasileiros podem receber até seis vezes mais do que juízes em Portugal, evidenciando distorções salariais no funcionalismo público. O levantamento, organizado pelas entidades Movimento Pessoas à Frente e República.org, analisou a remuneração de servidores em 10 países e destacou o Judiciário brasileiro como um dos casos mais expressivos de disparidade.
A pesquisa confrontou dados do Brasil com os de Alemanha, Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos, França, Itália, México, Portugal e Reino Unido. Apesar de a remuneração inicial dos juízes brasileiros figurar entre as mais altas, a maior diferença aparece no topo da carreira: magistrados no país chegam a ganhar múltiplas vezes mais que autoridades equivalentes em várias nações, incluindo cortes constitucionais europeias e latino-americanas.
O estudo também aponta que quase 11 mil juízes brasileiros receberam mais de US$ 400 mil por ano, considerando a Paridade de Poder de Compra, entre agosto de 2024 e julho de 2025. Há registros de casos com remunerações superiores a US$ 1,3 milhão no período, impulsionadas principalmente por pagamentos retroativos e adicionais incorporados à remuneração.
Segundo a análise, os chamados “penduricalhos”, como gratificações, indenizações, adicionais por tempo de serviço e benefícios diversos, são determinantes para a formação dos supersalários e frequentemente ficam fora do teto constitucional. O tema ganhou novo fôlego após decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que deu prazo de 60 dias para que os Três Poderes expliquem a existência e a manutenção dessas vantagens no serviço público.