A divulgação de conversas atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro intensificou a pressão no Congresso Nacional pela abertura de comissões parlamentares de inquérito para investigar o caso envolvendo o Banco Master. Atualmente, ao menos sete iniciativas de CPI e CPMI relacionadas ao tema seguem sem avanço no Legislativo.
As novas movimentações ocorreram após a revelação de tratativas ligadas ao patrocínio de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio levou à articulação de dois novos pedidos de comissões mistas de inquérito: um liderado pelo senador Carlos Viana, pela oposição, e outro encabeçado pelo deputado Lindbergh Farias, integrante da base governista.
Apesar da pressão política, a instalação de uma investigação parlamentar ainda enfrenta resistência. No Senado, pedidos de CPI dependem do aval do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que não sinalizou apoio à criação das comissões. Já na Câmara, o presidente Hugo Motta argumenta que existem requerimentos mais antigos aguardando análise.
Além das novas propostas, outras cinco iniciativas já alcançaram o número mínimo de assinaturas, incluindo pedidos apresentados por parlamentares da oposição e da esquerda. Entre eles estão requerimentos articulados pelos deputados Carlos Jordy, Fernanda Melchionna e Heloísa Helena, além dos senadores Eduardo Girão e Alessandro Vieira.
No Supremo Tribunal Federal, a disputa também chegou ao Judiciário. Lindbergh Farias apresentou mandado de segurança pedindo a instalação obrigatória de uma CPMI. Outro pedido semelhante, patrocinado pela oposição, tramita sob relatoria do ministro Nunes Marques, mas ainda não teve andamento.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades nas conversas com Vorcaro e afirma que as discussões envolveram apenas recursos privados para a produção cinematográfica. O senador também declarou ser favorável à criação de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar o caso.