A agência de publicidade Cálix Propaganda, pertencente ao publicitário Marcello Lopes, ex-marqueteiro da campanha de Flávio Bolsonaro, acumulou R$ 99,2 milhões em contratos empenhados pelo governo federal entre 2022 e 2026. Os acordos foram assinados durante a gestão de Jair Bolsonaro e mantidos no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Os dados constam no Portal de Compras do Governo Federal e envolvem dois contratos de prestação de serviços de publicidade firmados com ministérios federais. Segundo os registros, a empresa já recebeu R$ 39,7 milhões, enquanto outros R$ 59,6 milhões ainda aguardam pagamento por parte da União.
O principal contrato foi firmado em dezembro de 2021 com o então Ministério do Desenvolvimento Regional, comandado à época por Rogério Marinho. O acordo previa gastos de até R$ 55 milhões anuais com serviços de comunicação e publicidade institucional.
Atualmente, a pasta integra o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e teve o contrato renovado três vezes durante a gestão petista, mantendo a vigência dos serviços até abril de 2026.
O segundo contrato foi celebrado em 2022 junto ao então Ministério da Infraestrutura, que era comandado por Tarcísio de Freitas. A licitação teve apenas a Cálix como participante e previa valor anual de até R$ 14,9 milhões.
Embora a contratação tenha ocorrido ainda no governo Bolsonaro, a formalização definitiva foi concluída em abril de 2023, já sob a administração Lula. Desde então, o vínculo também passou por renovações e segue válido até 2027.
De acordo com os dados orçamentários, parte significativa dos valores empenhados ainda não foi quitada pelo governo federal. O montante inclui despesas inscritas como “restos a pagar”, mecanismo utilizado para despesas contratadas em um exercício fiscal, mas transferidas para pagamento nos anos seguintes.
Segundo os registros oficiais, os atrasos geraram acréscimos de juros e multas sobre algumas faturas, elevando os custos previstos inicialmente.
Marcello Lopes, conhecido nos bastidores políticos como “Marcellão”, é amigo pessoal de Flávio Bolsonaro e vinha atuando na coordenação de comunicação da pré-campanha presidencial do senador. Nesta quarta-feira (20), no entanto, anunciou sua saída da equipe.
Segundo o publicitário, a decisão partiu dele próprio e ocorreu após conversas com Flávio Bolsonaro. A coordenação da comunicação da campanha passará agora para o publicitário Eduardo Fischer.