O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, decidiu nesta sexta-feira que o banqueiro Daniel Vorcaro poderá voltar a ocupar uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A decisão responde ao pedido da defesa, que criticava as condições precárias da cela comum onde ele estava detido.
A mudança ocorre enquanto Vorcaro tenta avançar em um acordo de colaboração com as autoridades. Contudo, investigadores ainda consideram as informações fornecidas por sua defesa insuficientes diante do material já reunido pela Polícia Federal.
Nesta mesma sexta-feira, o advogado José Luís Oliveira Lima, o Juca, anunciou sua saída da defesa de Vorcaro. O rompimento foi descrito como consensual e se deu em meio às dificuldades nas negociações para um acordo de delação premiada, que esbarram na resistência do empresário em trazer novos fatos relevantes à investigação.
A primeira proposta de delação de Vorcaro foi rejeitada pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que esperam evidências mais consistentes sobre fraudes bilionárias. A pressão sobre a equipe jurídica de Vorcaro aumentou após a rejeição inicial e o cerco aos seus familiares.
Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, está preso desde maio em Minas Gerais. Ele é suspeito de atuar como operador financeiro do grupo “A Turma”, acusado de promover atos intimidatórios contra desafetos do filho.
A proteção aos familiares era um dos pontos que Daniel Vorcaro buscava incluir no acordo com as autoridades.