Irã executa dois homens por protestos e condena mais quatro à morte

ONU e organizações internacionais manifestam preocupação.

O governo do Irã voltou a enfrentar críticas da comunidade internacional após a execução de dois homens ligados a casos de protestos e espionagem, além da condenação à pena de morte de outras quatro pessoas envolvidas em um processo relacionado às manifestações que abalaram o país nos últimos anos.

Foto: AP PHOTO
Protestos no Irã

Segundo informações divulgadas pelo Poder Judiciário iraniano, Abbas Akbari Feyzabadi foi executado após ser condenado por crimes como “inimizade contra Deus”, destruição de patrimônio público, conspiração contra a segurança nacional e participação em ataques contra prédios governamentais durante protestos realizados em janeiro deste ano na província de Isfahan.

As autoridades afirmam que a condenação foi baseada em imagens, provas documentais e confissões apresentadas durante o processo. O Supremo Tribunal do Irã confirmou a sentença antes da execução. No entanto, não foram divulgados detalhes independentes sobre as condições do julgamento, o acesso à defesa ou a obtenção das confissões.

Em outro caso, Mojtaba Kian foi executado após ser acusado de espionagem em favor de Israel e dos Estados Unidos. De acordo com o Judiciário iraniano, ele teria repassado informações relacionadas à indústria de defesa do país para serviços de inteligência estrangeiros.

Organizações de direitos humanos afirmam que Kian foi a primeira pessoa presa durante o atual conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos a ser executada desde o início das hostilidades, ocorrido no fim de fevereiro.

Além das execuções, um tribunal revolucionário de Teerã condenou à morte quatro acusados no chamado caso do Bairro de Ekbatan. Os réus foram responsabilizados pela morte de Arman Aliverdi, estudante ligado à força paramilitar Basij, que morreu após ser ferido durante os protestos de 2022 desencadeados pela morte de Mahsa Amini.

Os condenados foram identificados como Milad Armoon, Navid Najjaran, Mehdi Imani e Seyed Mohammadmehdi Hosseini. Outros quatro acusados receberam penas de prisão, além de restrições ao uso de redes sociais e limitações de residência.

De acordo com a organização Iran Human Rights, as sentenças foram comunicadas verbalmente aos acusados, sem a presença de seus advogados e sem aviso prévio. As condenações ainda podem ser analisadas pelo Supremo Tribunal iraniano.

A nova onda de execuções provocou reação de entidades internacionais. O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, manifestou preocupação com a situação e afirmou que os direitos da população iraniana continuam sendo restringidos de forma severa.

Organizações de defesa dos direitos humanos sustentam que presos políticos no Irã frequentemente enfrentam processos sem garantias adequadas de defesa e apontam denúncias recorrentes de confissões obtidas sob pressão. As autoridades iranianas rejeitam essas acusações e defendem a legalidade dos julgamentos e das punições aplicadas.

A Anistia Internacional também manifestou preocupação com o que classificou como julgamentos injustos em diversos casos recentes envolvendo opositores e participantes de protestos no país.

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