Governo reage aos EUA e diz manter combate permanente ao PCC e CV

Planalto critica interferência externa após facções serem tratadas como terroristas

O governo federal afirmou nesta sexta-feira (29) que mantém “combate permanente” contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), após os Estados Unidos anunciarem a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras.

Foto: Reprodução
Governo reage à decisão dos EUA sobre PCC e Comando Vermelho.

Em nota oficial, o Palácio do Planalto declarou que o Brasil enfrenta de forma contínua organizações criminosas e milícias que atuam em diferentes regiões do país, mas criticou o que classificou como tentativa de interferência externa em assuntos internos brasileiros.

“O Brasil é uma nação soberana”, afirmou o governo no comunicado, ao sustentar que cabe às instituições brasileiras definir como o crime organizado deve ser combatido e enquadrado legalmente.

A manifestação ocorreu um dia após o governo norte-americano anunciar que pretende oficializar a designação do PCC e do CV como organizações terroristas a partir de 5 de junho. A decisão veio após encontro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na nota, o governo brasileiro argumenta que as facções atuam principalmente com tráfico de drogas e armas e que suas atividades não se enquadram na definição tradicional de terrorismo internacional, geralmente associado a motivações ideológicas, políticas ou religiosas.

O Planalto também criticou integrantes da família Bolsonaro por buscarem apoio externo em temas relacionados à segurança pública brasileira. Sem citar diretamente Flávio Bolsonaro, o texto menciona “falsos patriotas” que tentam estimular interferência estrangeira no país.

O governo afirmou ainda que medidas unilaterais adotadas por outros países podem prejudicar a cooperação internacional no combate ao crime organizado e gerar impactos econômicos e institucionais no Brasil, incluindo riscos ao sistema financeiro e a mecanismos como o Pix.

Apesar das críticas, o comunicado ressaltou que o Brasil mantém parcerias internacionais no enfrentamento ao crime transnacional e informou que apresentou aos Estados Unidos, em abril, propostas de cooperação focadas em inteligência, combate à lavagem de dinheiro e tráfico de armas.

Especialistas ouvidos pela CNN Brasil avaliaram que a classificação das facções como terroristas pode ampliar tensões diplomáticas e abrir espaço para disputas políticas envolvendo soberania nacional e segurança pública.

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