Planalto reage à decisão dos EUA sobre PCC e Comando Vermelho

Governo vê risco de interferência externa após classificação das facções

Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode representar uma forma de interferência política nos assuntos internos do Brasil. Auxiliares do Planalto demonstram preocupação com possíveis desdobramentos diplomáticos, econômicos e eleitorais após o anúncio feito pelo governo norte-americano. 

Foto: Reprodução/Instagram/@FlavioBolsonaro
Donald Trump

A medida foi anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e deve entrar em vigor nos próximos dias. O enquadramento das facções como organizações terroristas amplia instrumentos legais do governo norte-americano para aplicação de sanções e restrições financeiras, além de permitir ações de inteligência mais abrangentes. A decisão ocorreu após articulações de lideranças da oposição brasileira junto a autoridades dos Estados Unidos. 

O governo brasileiro reagiu publicamente à decisão. Lula criticou o posicionamento norte-americano, afirmou que o Brasil não aceitará interferências externas e reforçou que o combate às facções criminosas deve ser conduzido pelas instituições nacionais. O presidente também declarou que PCC e Comando Vermelho representam uma ameaça à população brasileira, mas rejeitou qualquer justificativa para intervenções estrangeiras em território nacional. 

A avaliação do Planalto é de que novas medidas do governo de Donald Trump não estão descartadas, principalmente diante do avanço das tensões políticas entre os dois países. Especialistas também alertam para possíveis impactos econômicos e financeiros decorrentes da classificação das facções, incluindo efeitos sobre empresas, operações internacionais e mecanismos do sistema financeiro brasileiro. 

Leia também