EUA propõem tarifas de 12,5% sobre produtos brasileiros

Medida foi tomada após uma investigação que analisou o combate ao trabalho forçado em 60 países

O governo dos Estados Unidos ampliou a pressão comercial sobre o Brasil ao recomendar uma nova tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. A medida foi anunciada nesta terça-feira (2) pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), após a conclusão de uma investigação que analisou o combate ao trabalho forçado em 60 países.

Foto: Reprodução/Instagram/@FlavioBolsonaro
Donald Trump

Segundo o relatório, o Brasil está entre as nações que não possuem mecanismos considerados eficazes para impedir a entrada de produtos fabricados com mão de obra forçada em seus mercados. Por esse motivo, o país foi incluído no grupo que poderá sofrer a maior sobretaxa proposta pelo órgão americano.

A recomendação surge apenas um dia após o USTR sugerir outra tarifa de 25% sobre importações brasileiras, em uma investigação separada que questiona políticas comerciais do país, incluindo o sistema Pix e a atuação do Banco Central.

De acordo com o governo norte-americano, a falta de barreiras eficientes contra produtos feitos com trabalho forçado cria uma concorrência considerada desleal para empresas dos Estados Unidos que seguem normas trabalhistas mais rígidas. A investigação foi aberta em março com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado para contestar práticas comerciais classificadas como prejudiciais aos interesses americanos.

O Brasil aparece ao lado de países como China, Argentina, Japão, Austrália, Reino Unido, Índia e África do Sul na lista de economias que, segundo o USTR, não adotam medidas suficientes para restringir esse tipo de importação. Já países como Canadá, México e integrantes da União Europeia foram enquadrados em uma categoria diferente, destinada a nações que possuem legislação específica, mas que enfrentam dificuldades na aplicação das regras.

As duas propostas tarifárias ainda não entrarão em vigor imediatamente. Antes de uma decisão definitiva da administração do presidente Donald Trump, o governo americano realizará consultas e audiências públicas previstas para julho.

O governo brasileiro acompanha o processo desde a abertura da investigação e apresentou sua defesa em abril. Na ocasião, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou que o país mantém mecanismos de fiscalização e compromissos internacionais voltados ao combate ao trabalho análogo à escravidão, argumentando que eventuais sanções seriam desproporcionais diante das medidas já adotadas pelo Brasil.

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