Nos EUA, Flávio Bolsonaro defende fim de tarifas sobre produtos brasileiros

Apesar de ser contrário as tarifas, o senado argumenta que medida acabaria fortalecendo Lula no discurso de soberania nacional

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), participará nesta terça-feira (7) de uma audiência pública nos Estados Unidos que discute a investigação comercial contra o Brasil, que pode resultar na aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

Foto: Sergio Lima/AFP
Flávio Bolsonaro

A investigação é conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas "irrazoáveis" em diferentes áreas, como comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal.

Segundo Flávio Bolsonaro, ele defenderá o fim da tarifa durante a audiência, mas argumenta que a medida acabaria fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao permitir que o governo utilize o episódio para reforçar o discurso de defesa da soberania nacional.

Na manifestação encaminhada ao USTR para participar da audiência, o senador afirma que é contrário à taxação, mas sustenta que a investigação contra o Brasil deve continuar.

"As tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que ele tem adotado: protelar negociações sérias, provocar Washington a retaliar e, então, transformar essa retaliação em uma vitória política interna", escreveu o parlamentar.

Pontos questionados pelos Estados Unidos

Entre os temas citados pelo USTR na investigação estão:

Na semana passada, o governo brasileiro encaminhou um documento ao USTR rebatendo as acusações. Na resposta, o Brasil defende a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), sustenta que o Pix não representa prática comercial desleal e afirma que adota medidas para combater o desmatamento e cumprir as normas internacionais de comércio.

A audiência pública faz parte da investigação aberta pelas autoridades comerciais dos Estados Unidos e servirá para ouvir representantes do governo, parlamentares, empresas e entidades antes da definição sobre uma eventual aplicação das tarifas.

Leia também