O governo federal intensificou as articulações com lideranças do Congresso Nacional para impedir a derrubada de vetos presidenciais que podem elevar os gastos públicos. A estratégia do Palácio do Planalto é restringir a pauta da sessão conjunta prevista para os próximos dias a temas de consenso entre governo e oposição, evitando que propostas com impacto significativo sobre as contas públicas avancem no Legislativo.
As negociações envolvem diretamente lideranças partidárias e o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre. Segundo interlocutores do governo, a prioridade é retirar da pauta vetos cuja rejeição possa aumentar despesas obrigatórias, reduzir a arrecadação ou comprometer o equilíbrio fiscal. Entre os temas considerados mais sensíveis estão os dispositivos relacionados ao marco das eólicas offshore, que incluem incentivos e subsídios ao setor energético vetados pelo Executivo.
O Planalto argumenta que a eventual derrubada desses vetos poderá elevar os custos do sistema elétrico e provocar reflexos nas contas de energia dos consumidores nos próximos anos. A movimentação repete a estratégia adotada antes da sessão do Congresso prevista para junho, posteriormente cancelada por falta de consenso entre as lideranças. O objetivo é concentrar as votações em matérias de menor controvérsia e reduzir o risco de novas pressões sobre o orçamento federal.
A sessão ainda aguarda convocação oficial, mas a definição da pauta deve ocorrer após novas rodadas de negociação entre o governo, líderes partidários e a presidência do Congresso. Enquanto o Executivo busca preservar o equilíbrio das contas públicas, parlamentares da oposição defendem a apreciação de um número maior de vetos, mantendo o cenário de disputa política em torno das prioridades legislativas desta semana.