André Mendonça determina apreensão de passaporte de Thiago Miranda

Decisão atende pedido da PF, que apontou risco de fuga durante investigação

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a apreensão do passaporte do publicitário Thiago Miranda, investigado pela Polícia Federal (PF) por suposta participação em um esquema ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Foto: reprodução/redes sociais

A medida foi tomada no sábado (11) após representação da Polícia Federal, que apontou risco concreto de fuga do investigado. Thiago Miranda foi alvo de uma operação da PF na última quinta-feira (9), no âmbito das apurações sobre uma suposta estrutura destinada a contratar influenciadores digitais para realizar campanhas contra o Banco Central e pressionar jornalistas.

Segundo as investigações, Miranda teria atuado como intermediário entre Daniel Vorcaro e influenciadores que participaram das ações após o processo de liquidação do Banco Master. A defesa do publicitário nega qualquer irregularidade.

A decisão foi comemorada nas redes sociais pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que afirmou ter solicitado ao ministro André Mendonça a adoção de medidas cautelares, incluindo a retenção do passaporte, a proibição de deixar o país e o uso de tornozeleira eletrônica.

A Polícia Federal também investiga a atuação de Thiago Miranda na aproximação entre Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Conforme a apuração, o publicitário teria apresentado os dois no fim de 2024 e participado da intermediação de pagamentos destinados a um fundo nos Estados Unidos que financiaria um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mensagens obtidas pela PF indicam que Miranda organizou encontros entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, além de cobrar do banqueiro pagamentos considerados pendentes. Os diálogos foram extraídos de aparelhos apreendidos durante as investigações.

Em depoimento, Thiago Miranda afirmou que conheceu Daniel Vorcaro por meio de um empresário de Minas Gerais durante negociações envolvendo a venda de participação no portal LeoDias, do qual era sócio.

Em nota, a defesa do publicitário negou qualquer prática criminosa e afirmou que a atuação profissional de Thiago Miranda sempre ocorreu dentro da legalidade, da transparência e do respeito às instituições. Os advogados destacaram que o investigado permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações, ressaltando que a apuração deve respeitar as garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e da presunção de inocência.

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