O debate entre candidatos ao governo de São Paulo terminou em um bate-boca entre o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e Fernando Haddad (PT), na noite deste domingo (9). O desentendimento ocorreu após Haddad mencionar, durante as considerações finais, uma investigação envolvendo um contrato de Wi-Fi firmado pela Prefeitura de São Paulo. Segundo o InfoMoney, após o encerramento da transmissão, Nunes procurou o petista para contestar a associação de seu nome às suspeitas relacionadas ao contrato.
Durante sua fala, Haddad citou o acordo ao responder a um elogio feito pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) a Nunes. O contrato foi firmado em junho de 2024 entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), no valor de R$ 108 milhões, para a instalação e manutenção de 5 mil pontos de internet Wi-Fi gratuita na capital paulista. O caso é investigado pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil.
A investigação apura, entre outras possibilidades, se recursos relacionados ao contrato teriam sido desviados para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O Instituto Conhecer Brasil é administrado por Karina Ferreira da Gama, que também é proprietária da Go Up Entertainment, empresa responsável pela produção do longa. Durante o debate, Haddad afirmou que apenas havia mencionado uma investigação em andamento e que caberia às autoridades esclarecer as suspeitas.
Após o fim da transmissão, Nunes abordou Haddad e o segurou pelo braço, provocando a intervenção do advogado Marco Aurélio de Carvalho, do Grupo Prerrogativas, que afastou o candidato petista. Nunes afirmou posteriormente que procurou Haddad para dizer que não considerava correta a relação de seu nome com o caso e negou ter qualquer irregularidade relacionada ao contrato. Haddad, por sua vez, reforçou que não afirmou que Nunes era responsável pelas suspeitas, mas que o contrato está sob investigação.