Dirigente do Missão é apontado como autor da filiação de Flávio no partido

Ação passou a ser tratada como crime de inserção de dados falsos, com pena de 2 a 12 anos de prisão

Um filiado com função diretiva no Partido Missão foi identificado pelas autoridades como o responsável pelo cadastro que incluiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no sistema de filiação da legenda. O nome já foi encaminhado à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverão apurar se o dirigente realizou pessoalmente o procedimento ou se seus dados foram utilizados por outra pessoa.

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) 

As autoridades também conseguiram identificar informações técnicas relacionadas ao acesso ao sistema, incluindo local, horário e registros eletrônicos (logs). O caso passou a ser tratado como possível inserção de dados falsos em sistema de informações, crime previsto no artigo 313-A do Código Penal, com pena de dois a 12 anos de prisão, além de multa.

A inclusão de Flávio no Missão ocorreu sem autorização do senador, segundo sua defesa. A alteração chegou a retirar automaticamente a filiação dele ao PL e ameaçou o registro de sua candidatura à Presidência da República.

Missão nega envolvimento

O Partido Missão nega ter realizado a filiação de forma fraudulenta. Em nota, a legenda afirmou que também teria sido vítima da tentativa de alteração e que seu sistema identificou a irregularidade.

Segundo o partido, uma tentativa de cancelar a filiação foi feita no mesmo dia, mas acabou rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A legenda afirma ainda que o gabinete de Flávio foi informado sobre a tentativa de filiação desde o dia 2 de agosto. Conforme o Missão, os e-mails enviados ao gabinete foram abertos, mas não receberam resposta.

O partido informou que pretende encaminhar às autoridades os registros relacionados ao caso, incluindo logs, e-mails e endereços de IP, para contribuir com a investigação.

Investigação deve esclarecer quem fez o cadastro

Apesar da identificação de um filiado com função diretiva no Missão, ainda não está esclarecido se ele próprio realizou o procedimento no sistema eleitoral ou se suas credenciais ou informações foram utilizadas por terceiros.

Essa é uma das questões que deverão ser esclarecidas pela investigação.

O Missão afirmou que adotará medidas junto à PF e ao TSE para identificar os responsáveis e declarou que não compactua com filiações fraudulentas. A legenda também colocou seus registros à disposição das autoridades para auxiliar na apuração.

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