Alcolumbre destrava pautas, mas adia projetos do governo para após eleições

Senado avança com pautas, mas projetos centrais do governo ficam para depois do pleito

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), destravou parte da agenda do Congresso Nacional, permitindo o avanço de propostas consideradas prioritárias para o Legislativo. Apesar disso, projetos de interesse direto do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente aqueles com maior potencial de impacto eleitoral, devem ficar para depois das eleições de 2026. Entre os temas nessa situação estão o fim da escala de trabalho 6x1 e a PEC da Segurança Pública. 

Foto: Ascom Davi Alcolumbre/Divulgação
Davi Alcolumbre

A decisão ocorre em meio ao esforço concentrado do Congresso antes do período eleitoral. Alcolumbre havia articulado um calendário para acelerar votações em agosto e no início de setembro, mas indicou que algumas matérias consideradas sensíveis não devem avançar neste momento. O entendimento é que propostas com forte repercussão junto ao eleitorado podem ser utilizadas politicamente durante a campanha, o que contribui para o adiamento das discussões para depois do pleito. 

Entre as pautas que podem avançar está o projeto relacionado aos combustíveis, elaborado para reduzir impactos econômicos provocados pela elevação dos preços em razão do conflito no Oriente Médio. Também estão no radar propostas como a tipificação do crime de misoginia, mudanças no teto do Microempreendedor Individual (MEI) e medidas de renegociação de dívidas rurais. A tramitação desses textos depende, porém, de acordos entre as lideranças partidárias da Câmara e do Senado. 

Já o fim da escala 6x1 ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado antes de chegar ao plenário, enquanto outras matérias também enfrentam etapas de tramitação. A estratégia de Alcolumbre mantém parte da agenda do Congresso em movimento, mas preserva para o período pós-eleitoral propostas que podem gerar maior disputa política entre governo, oposição e parlamentares. O cenário também reflete as dificuldades de articulação entre o Planalto e as lideranças do Legislativo ao longo do segundo semestre. 

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