A investigação sobre o financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, ganhou novos elementos nesta semana com a divulgação de documentos e informações obtidas pela Polícia Federal. O senador Flávio Bolsonaro é formalmente investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em um inquérito que apura suspeitas relacionadas à captação e à movimentação de recursos para a produção.
Os documentos analisados pela PF registram contatos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo os relatórios, o senador teria negociado valores para o filme e cobrado o banqueiro sobre repasses. A investigação apura possíveis crimes financeiros, entre eles lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Parte dos recursos teria sido enviada aos Estados Unidos. Os investigadores analisam transferências que, segundo documentos divulgados, ultrapassam US$ 12 milhões, além da participação de intermediários e de estruturas financeiras no exterior. O destino final dos valores e sua efetiva aplicação na produção ainda estão sob investigação.
A apuração ganhou outra frente em 10 de setembro, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up, com 49 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estavam o deputado Mário Frias e a produtora Karina Gama. A investigação apura possível desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares e sua eventual relação com a estrutura responsável pelo filme.
O ministro Flávio Dino, do STF, retirou o sigilo de parte dos autos em 13 de setembro e determinou o compartilhamento de provas apreendidas com a Polícia Federal. A medida ampliou o acesso dos investigadores a documentos e dispositivos eletrônicos relacionados ao caso.
Outro elemento relevante é a colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, homologada pelo ministro André Mendonça em setembro. As declarações do colaborador passaram a integrar a investigação, mas, como ocorre com qualquer delação, precisam ser confrontadas com documentos e outras provas.
Também há um relato da produtora Karina Gama sobre supostas abordagens para que fizesse uma colaboração premiada. O relato foi registrado em documento, mas as alegações ainda não constituem prova independente dos fatos narrados.
E Flávio Bolsonaro pode ser preso? Até esta quinta-feira (17), não há informação pública sobre ordem de prisão contra o senador nesse caso. A investigação está em andamento e a existência de mensagens, transferências ou outros elementos investigativos não significa, por si só, condenação ou que uma prisão esteja determinada.
O que a apuração busca esclarecer é a origem dos recursos, os valores efetivamente recebidos, o destino do dinheiro e eventual utilização irregular de recursos públicos. O caso permanece sob investigação no STF, com diferentes frentes conduzidas a partir dos documentos reunidos pela PF.