A uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) intensificaram a busca por eleitores que atualmente declaram apoio a candidaturas com percentuais menores nas pesquisas. O movimento envolve a tentativa de concentrar votos ainda no primeiro turno, enquanto candidatos como Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) procuram preservar seus eleitorados. Segundo pesquisa Datafolha citada, Lula aparece com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 36%. Cury tem 5%, Caiado 4%, Renan 3% e Zema 1%. Em uma simulação de segundo turno, Lula tem 47% e Flávio, 45%, resultado dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
No campo de Flávio Bolsonaro, a estratégia de concentração de votos é apresentada de forma mais direta, principalmente entre eleitores de direita e centro-direita. Desde a metade de setembro, o candidato e seus aliados passaram a defender que parte desse eleitorado escolha o nome do PL já no primeiro turno, sob o argumento de que a disputa está concentrada entre os dois candidatos. O líder da oposição no Congresso, Izalci Lucas (PL-DF), afirmou que a campanha pretende não apenas garantir a presença de Flávio no segundo turno, mas também ampliar sua votação na primeira etapa. Um recorte do Datafolha mostra que, entre eleitores de Cury, Caiado, Zema e Renan, 43% declararam preferência por Flávio em um eventual segundo turno contra Lula, enquanto 30% escolheriam o petista e 26% optariam por branco, nulo ou nenhum.
A campanha de Lula também busca reduzir a dispersão do eleitorado, mas com uma estratégia voltada à consolidação de sua base, aos indecisos e à atração de pessoas que ainda consideram outras candidaturas. O movimento ocorre paralelamente à tentativa de manter temas de apelo popular no centro da campanha, como o combate às apostas on-line, além de críticas a Flávio Bolsonaro relacionadas ao caso Banco Master e à atuação da família Bolsonaro nas relações com os Estados Unidos. Já a campanha de Flávio concentra esforços principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais e procura ampliar o apoio entre eleitores de outras candidaturas de direita e centro-direita.