O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que os integrantes da Corte só tiveram acesso aos dados brutos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na tarde de 14 de setembro, um dia antes do julgamento que analisaria questões relacionadas às investigações envolvendo o banqueiro e ministros do próprio tribunal. A informação consta em ofício encaminhado por Gilmar na segunda-feira (28).
Segundo o ministro, o acesso à íntegra do material não ocorreu de forma imediata. Gilmar relatou que ele e outros integrantes do STF fizeram cobranças reiteradas para obter os dados que estavam sob a guarda do ministro André Mendonça havia meses. No documento, o decano afirmou que houve uma “resistência inicialmente manifestada” por Mendonça e que foram necessários sucessivos ofícios para que o conteúdo fosse disponibilizado aos demais integrantes do colegiado.
A disputa sobre o conteúdo do aparelho ocorreu às vésperas da sessão extraordinária do STF marcada para 15 de setembro, quando os ministros analisariam o caso relacionado às mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Na ocasião, ministros como Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes haviam solicitado acesso integral aos dados. A Polícia Federal informou que o aparelho original permanecia sob sua custódia e que poderia produzir cópias idênticas da extração, preservando os mecanismos de verificação da integridade do material.
Antes disso, André Mendonça havia defendido que a abertura de todas as informações armazenadas no celular poderia tumultuar o julgamento e prejudicar o andamento das investigações. O ministro afirmou que a análise deveria ocorrer com base no conjunto de informações já disponível nos autos e sustentou que a inclusão de novos elementos naquele momento poderia provocar questionamentos sobre o processo. O impasse sobre o acesso aos dados passou a integrar a crise institucional envolvendo diferentes integrantes do Supremo no caso Banco Master.