A Justiça da Itália marcou para o dia 29 de outubro uma nova audiência para analisar o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli ao Brasil. A sessão deverá reavaliar a solicitação das autoridades brasileiras para que ela retorne ao país e cumpra pena decorrente de condenação por perseguir um homem armado pelas ruas de São Paulo, em 2022. A nova data representa mais uma etapa do processo judicial que tramita na Justiça italiana e envolve decisões de tribunais dos dois países.
Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cinco anos e três meses de prisão pelo episódio de perseguição armada. Ela também recebeu uma condenação de dez anos de prisão por participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023, e pela inserção de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. Os pedidos relacionados às condenações brasileiras passaram a ser analisados pelas autoridades italianas, responsáveis por avaliar se estão presentes os requisitos legais para autorizar a extradição.
O processo teve uma mudança importante em julho, quando a Corte Suprema de Cassação da Itália anulou uma decisão que autorizava a extradição e determinou que o caso fosse reexaminado. Entre os pontos considerados pelas autoridades italianas estavam informações sobre as condições de assistência médica que seriam oferecidas à ex-deputada no sistema penitenciário brasileiro. A Corte também analisou argumentos apresentados pela defesa, que questiona as condenações e alega perseguição política. A nova audiência deverá dar continuidade à avaliação judicial do pedido brasileiro.
A defesa de Zambelli sustenta que os processos no Brasil apresentam irregularidades e contesta a legitimidade das decisões judiciais. Já as autoridades brasileiras buscam viabilizar o retorno da ex-parlamentar para o cumprimento das penas impostas pela Justiça. A análise da extradição depende das regras legais italianas e dos acordos aplicáveis entre os dois países. A audiência marcada para 29 de outubro será mais uma etapa do procedimento, mas não significa, por si só, que a extradição esteja definitivamente autorizada ou que o retorno ao Brasil ocorrerá imediatamente.