O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, solicitou nesta segunda-feira (12) informações sobre o canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) no WhatsApp. A solicitação busca esclarecer se houve circulação de conteúdos idênticos ou semelhantes aos apontados como desinformação pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). A medida ocorre em meio à disputa judicial sobre o funcionamento do canal durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Na decisão, Nunes Marques pediu que a Assessoria de Enfrentamento à Desinformação da Justiça Eleitoral informe se identificou a disseminação dos conteúdos questionados e quais providências foram adotadas. O ministro também solicitou elementos técnicos que possam ajudar a avaliar eventuais riscos à integridade do processo eleitoral. A iniciativa está relacionada a uma ação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro, que questiona publicações e mensagens compartilhadas no canal administrado por Janones.
O caso passou por decisões diferentes no fim de semana. No domingo (11), Nunes Marques determinou a suspensão do canal até o encerramento do segundo turno, atendendo a um pedido da campanha de Flávio. No entanto, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu provisoriamente a medida e restabeleceu o funcionamento do grupo. Cueva argumentou que a suspensão integral havia sido determinada antes da conclusão das diligências necessárias e encaminhou a controvérsia para análise do plenário do TSE.
A disputa envolve acusações sobre a possível utilização do canal para disseminar informações falsas contra Flávio Bolsonaro. A campanha do senador sustenta que a estrutura teria sido usada de forma coordenada para ampliar a circulação de conteúdos eleitorais irregulares. Já o corregedor apontou que, até aquele momento, não havia identificado conteúdo de desinformação que justificasse a suspensão integral sem a conclusão da apuração. O plenário do TSE deverá analisar o caso, mas, até a publicação da reportagem, não havia data definida para o julgamento.