A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) criticou decisões estratégicas de seu partido após o resultado das eleições de 2026 e admitiu a possibilidade de se filiar ao Partido dos Trabalhadores (PT) em 2027. Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada na segunda-feira (12), a parlamentar afirmou que erros internos contribuíram para que a federação formada por PSOL e Rede Sustentabilidade não alcançasse a cláusula de barreira. Entre os pontos questionados estão a distribuição dos recursos partidários, o financiamento de candidaturas e a decisão de não formar uma federação com o PT.
Na avaliação de Erika, o partido deixou de investir adequadamente em candidatos com potencial eleitoral e destinou valores elevados a campanhas que, segundo ela, tinham menor possibilidade de conquistar votos. A deputada citou como exemplo a candidatura de Sofia Favero à Assembleia Legislativa de São Paulo, que teria recebido poucos recursos. Para Erika, a estratégia prejudicou o desempenho da legenda em diferentes estados e dificultou o cumprimento das exigências eleitorais necessárias para garantir acesso ao Fundo Partidário e à propaganda partidária gratuita.
A parlamentar também voltou a defender que o PSOL deveria ter formado uma federação com o PT. Segundo ela, a aliança poderia ampliar a presença da esquerda em regiões onde partidos de direita têm maior força e contribuir para superar a cláusula de barreira. Erika, no entanto, afirmou que a divergência não provocou um racha na sigla, mas refletiu diferentes avaliações sobre a estratégia eleitoral. Após a decisão contrária à federação, o grupo que defendia a aliança aceitou o resultado interno, embora a deputada considere necessária uma revisão dos rumos partidários diante do desempenho nas urnas.
Sobre uma possível mudança de partido, Erika confirmou que já conversou com integrantes do PT e que também foi procurada por outras legendas. Ela ressaltou, porém, que ainda não tomou uma decisão nem concluiu as conversas com as duas siglas, e afirmou que a saída do PSOL poderá ocorrer em 2027, caso não haja entendimento sobre os próximos passos. A deputada também avaliou que a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva poderia ter comunicado melhor as ações do governo no primeiro turno e defendeu ajustes na estratégia para a disputa contra Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, marcado para 25 de outubro.