A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou nesta quinta-feira (22) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma resposta às condições impostas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos à Presidência. A equipe petista afirmou aceitar as exigências e cobrou que o adversário também disponibilize as informações solicitadas.
A disputa começou no domingo (18), durante debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes, quando Lula desafiou Flávio a abrir os próprios sigilos e os de familiares. Na terça-feira (20), o presidente protocolou um pedido no TSE e no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizando a divulgação dos dados dele e de parentes, desde que o senador adotasse a mesma medida.
No dia seguinte, Flávio declarou que aceitava o desafio, mas apresentou uma lista de condições para ampliar o alcance da divulgação. Entre os pedidos estão informações sobre gastos com cartões corporativos da Presidência, registros de visitantes nos palácios presidenciais e dados financeiros de pessoas ligadas ao presidente.
Flávio ampliou lista de exigências
Entre as condições apresentadas pela campanha do senador estão a divulgação das movimentações financeiras do Instituto Lula e a abertura de sigilos do ex-assessor presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e de Paulo Okamotto, diretor do instituto.
Flávio também pediu acesso aos gastos dos cartões corporativos, incluindo os utilizados pela primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, além de registros de entradas no Palácio da Alvorada e no Palácio do Planalto.
A lista inclui ainda informações sobre a reunião entre Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro, realizada em dezembro de 2024, e dados relacionados à lobista Roberta Luchsinger, que, segundo a campanha do senador, tem vínculos com pessoas próximas ao presidente. As solicitações são parte das condições políticas apresentadas por Flávio e ainda dependem de análise quanto à possibilidade de divulgação.
Petistas foram ao Tribunal Superior Eleitoral
A resposta da campanha de Lula foi apresentada ao TSE por representantes do governo e do PT, entre eles o coordenador da campanha e senador Camilo Santana, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, o ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e a deputada federal Camila Jara.
A equipe do presidente afirmou que aceita as condições apresentadas pelo adversário e cobrou que a campanha de Flávio compareça para cumprir sua parte no acordo proposto.
Abertura de sigilos depende de análise judicial
O pedido de Lula prevê a divulgação dos dados bancários, fiscais e telefônicos dos candidatos referentes aos últimos oito anos, além de informações de familiares e empresas vinculadas a eles. A iniciativa foi apresentada como uma forma de permitir que os eleitores tenham acesso às informações antes do segundo turno, marcado para domingo (25).
A apresentação dos documentos, porém, não significa que todos os dados serão automaticamente divulgados. A medida depende da análise da Justiça e do cumprimento dos procedimentos necessários para acesso a informações protegidas por sigilo.