O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, criticou a carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro após sua chegada aos Estados Unidos. Questionado por jornalistas sobre o conteúdo do documento, na manhã desta quinta-feira (29), Valdemar respondeu: “Não gostei”. A declaração foi dada na chegada à residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, onde o dirigente partidário foi autorizado a realizar uma visita para conversar sobre os últimos acontecimentos políticos.
A carta foi publicada por Flávio na quarta-feira (28), depois de deixar o Brasil e desembarcar em Miami. No texto, o senador questiona o resultado das eleições presidenciais, faz críticas às instituições brasileiras e afirma que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir do exterior. Na primeira versão divulgada, ele chegou a se apresentar como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar da derrota nas urnas. Posteriormente, alterou a expressão para “líder do Brasil”, mas manteve acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas.
A visita de Valdemar a Jair Bolsonaro foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após solicitação da defesa do ex-presidente. Segundo o dirigente do PL, o objetivo é atualizar Bolsonaro sobre a situação política. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Brasília após ser condenado a 27 anos e três meses de prisão por participação na trama golpista. Ele está sujeito a medidas cautelares que incluem restrições de comunicação e de uso das redes sociais, além de limitações às visitas com finalidade político-eleitoral.
A manifestação de Valdemar ocorre em meio à repercussão da saída de Flávio do país e às discussões sobre os rumos do PL após a derrota presidencial. A carta também provocou reações de aliados políticos. O senador Rogério Marinho, que coordenou a campanha de Flávio, afirmou que o núcleo político não havia sido informado previamente sobre a viagem, enquanto o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, reafirmou o compromisso da Justiça Eleitoral com a vontade dos eleitores e com a análise de questionamentos pelos meios legais.