Viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA gera pressão sobre governo Trump

Parlamentares democratas cobram explicações sobre possível apoio à saída do senador do Brasil

A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil e sua chegada aos Estados Unidos provocaram questionamentos no Congresso norte-americano e aumentaram a pressão sobre o governo de Donald Trump. Em carta encaminhada ao secretário de Estado, Marco Rubio, parlamentares do Partido Democrata cobraram esclarecimentos sobre uma possível participação de autoridades norte-americanas na viagem. Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, e deixou o país apesar de uma determinação judicial que o impedia de viajar ao exterior. A decisão foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.

Foto: Brendan Smialowski/AFP
Donald Trump

Na correspondência, os congressistas pedem informações sobre a atuação do Departamento de Estado e a eventual concessão de vistos ao senador e a seus familiares. A cobrança também considera informações publicadas pelo jornal The New York Times, segundo as quais Jason Miller, conselheiro ligado a Trump, teria providenciado o jatinho utilizado por Flávio para viajar da Argentina aos Estados Unidos. Os parlamentares querem saber quem autorizou a entrada do grupo, quando as autoridades norte-americanas tiveram conhecimento das restrições impostas pela Justiça brasileira e se houve análise sobre a legalidade da viagem. O Departamento de Estado tem prazo até 13 de novembro para responder aos questionamentos.

A Polícia Federal informou que Flávio foi intimado em 26 de outubro a entregar os passaportes comum e diplomático no prazo de 24 horas, mas não cumpriu a determinação. Em seguida, os documentos brasileiros foram cancelados e um alerta migratório foi inserido no sistema de controle de fronteiras. Segundo a corporação, o senador cruzou a fronteira com a Argentina no dia 27 e embarcou em uma aeronave particular com destino aos Estados Unidos, acompanhado da esposa e das duas filhas. A investigação busca esclarecer como ele chegou à fronteira e deixou o território brasileiro sem registro de passagem pelos postos oficiais de controle migratório. Flávio e o advogado Willer Tomaz negam irregularidades no caso investigado.

Além da pressão política no Congresso, a permanência de Flávio nos Estados Unidos provocou reações nas redes sociais. Usuários passaram a questionar o tratamento dado ao senador em comparação com a política migratória defendida pelo governo Trump, que tem adotado medidas restritivas contra imigrantes. A controvérsia ocorre às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms, quando os republicanos podem perder espaço no Congresso. Os democratas também querem esclarecer se houve participação de órgãos de segurança e imigração na organização da viagem. O episódio amplia o desgaste político envolvendo a relação entre integrantes da família Bolsonaro e o governo norte-americano, além de acrescentar um novo ponto de tensão às relações entre Brasil e Estados Unidos.

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