Estratégia digital de Lula inspira movimentos de esquerda em outros países

Canal liderado por Janones ultrapassou 10 milhões de seguidores e virou referência internacional

A estratégia de mobilização digital utilizada durante a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a ganhar espaço em movimentos de esquerda de outros países. O canal de WhatsApp conhecido como “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), tornou-se referência para iniciativas políticas na Argentina, Espanha e França. As organizações estrangeiras passaram a utilizar o modelo brasileiro para distribuir orientações, ampliar o alcance de conteúdos nas redes sociais e mobilizar apoiadores em disputas eleitorais. Durante a campanha, a ferramenta brasileira ultrapassou 10 milhões de seguidores.

Foto: AFP

Na Argentina, o canal “Ejército del Peronismo” foi criado com inspiração direta na experiência brasileira e reúne apoiadores do movimento peronista, contrário ao presidente Javier Milei. A iniciativa busca fortalecer a oposição e organizar militantes para as eleições presidenciais de 2027. Na Espanha, o “La Fuerza de la Gente” concentra apoiadores do primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol, em meio à preparação para as eleições gerais antecipadas. Já na França, o canal “L’équipe de Mélenchon officielle” foi lançado para apoiar Jean-Luc Mélenchon na disputa presidencial prevista para 2027.

Juntos, os três canais estrangeiros reuniam aproximadamente 269 mil seguidores em 30 de outubro. A iniciativa francesa concentrava o maior público, com cerca de 161 mil inscritos, seguida pelo grupo argentino, com 65 mil, e pelo espanhol, com 43 mil. As plataformas utilizam estratégias semelhantes às adotadas por Janones no Brasil, como mensagens de mobilização, orientações para compartilhamento de publicações e incentivo à participação coordenada dos apoiadores. Na França, o deputado Antoine Léaument destacou publicamente a experiência brasileira e afirmou que o método também estava sendo colocado em prática no país.

A repercussão internacional da vitória de Lula também alcançou outros setores do debate político. O gesto conhecido como “faz o L”, associado à campanha petista, passou a ser utilizado por apoiadores de lideranças progressistas e ganhou destaque em manifestações e publicações no exterior. Enquanto movimentos de esquerda observam o modelo brasileiro como referência de mobilização digital, setores ligados ao presidente norte-americano Donald Trump também passaram a utilizar o resultado eleitoral brasileiro em discussões sobre a segurança e a confiabilidade dos processos eleitorais nos Estados Unidos. O episódio demonstra como a disputa presidencial brasileira ultrapassou as fronteiras nacionais e passou a influenciar estratégias e debates políticos em diferentes países.

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