Milhões de americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) para as eleições de meio de mandato, as Midterms, que podem virar um plebiscito para o governo Donald Trump. Estão em disputa as 435 cadeiras da Câmara; 35 vagas no Senado e os governos de 36 Estados.
O Partido Democrata tenta recuperar o controle do Congresso, atualmente dominado pelos republicanos. Na Câmara, os republicanos contam com 218 representantes, contra 214 democratas. Há ainda um parlamentar independente e duas cadeiras vagas. No Senado, a composição é de 53 republicanos, 45 democratas e dois independentes.
Pesquisas e projeções divulgadas antes da votação indicam vantagem dos democratas na disputa pela Câmara. Embora Trump não seja candidato nesta eleição, o resultado será interpretado como um indicador da avaliação dos americanos sobre sua administração e as principais políticas adotadas pelo governo.
Entre os assuntos que mais influenciaram a campanha estão o custo de vida, a guerra contra o Irã e a política de imigração. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na véspera da votação apontou que apenas 32% dos americanos aprovam a gestão de Trump.
O levantamento também mostrou que metade dos eleitores considera os preços o principal fator na decisão do voto. Em relação ao conflito no Oriente Médio, pesquisas citadas pela imprensa americana indicam que 55% da população é contrária à guerra.
A política migratória também representa um desafio para o presidente. Segundo levantamento da Fox News, 56% dos americanos desaprovam a atuação de Trump nessa área, principalmente em razão das operações realizadas por agentes federais do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).
Na tentativa de mobilizar o eleitorado republicano e evitar uma derrota nas urnas, Trump prometeu pagar US$ 5 mil a todos os americanos adultos caso seu partido vença as eleições legislativas. Durante um discurso em Washington, no encerramento da campanha, o presidente também intensificou os ataques aos candidatos democratas.
A disputa eleitoral ainda foi marcada por uma iniciativa judicial do governo republicano. Na noite de segunda-feira, a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou um pedido de Trump para anular 20 mil votos enviados pelo correio na Califórnia, estado com o maior eleitorado do país e tradicionalmente dominado pelos democratas. A Casa Branca argumentou que os eleitores não teriam cidadania americana.
Enquanto aguardam o resultado das urnas, os democratas já articulam uma agenda para os primeiros cem dias de uma eventual maioria no Congresso. Entre as prioridades estão a tentativa de reverter medidas adotadas por Trump, especialmente na política comercial, ampliar a fiscalização sobre a Casa Branca e avançar em investigações relacionadas às decisões do governo republicano.
Em análise exibida pela GloboNews, o professor de Relações Internacionais da ESPM Leonardo Trevisan avaliou os possíveis impactos de uma mudança no comando do Congresso para os próximos dois anos do governo americano.
Trump, por sua vez, já sinalizou que pretende adotar uma postura de enfrentamento caso os democratas conquistem a maioria parlamentar. O presidente afirmou que poderá se transformar no chamado "Senhor Veto", barrando projetos aprovados pela oposição.
A Constituição americana permite que o presidente vete propostas aprovadas pelo Congresso. No entanto, os parlamentares podem derrubar a decisão presidencial, desde que consigam reunir pelo menos dois terços dos votos tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado.