Canetas para emagrecimento: quais são legais e como funcionam

Anvisa alerta para riscos de versões ilegais e explica medicamentos aprovados

Com o aumento do uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento e o avanço de versões irregulares no mercado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou o alerta sobre as chamadas “canetas do Paraguai”, que são proibidas no Brasil. Esses produtos não passam por controle sanitário e podem representar riscos à saúde. Ao mesmo tempo, cresce a dúvida entre consumidores sobre quais medicamentos são, de fato, autorizados e vendidos legalmente no país.

Foto: Reprodução/Novo Nordisk/Eli Lilly

Atualmente, três substâncias estão por trás das principais canetas aprovadas: semaglutida, liraglutida e tirzepatida. Elas são usadas tanto no tratamento da obesidade quanto do diabetes tipo 2 e possuem registro sanitário no Brasil, o que permite sua comercialização regular.

A tirzepatida é o princípio ativo do medicamento Mounjaro, aplicado por meio de uma caneta de uso semanal. Estudos clínicos indicam que o remédio pode levar a perdas de peso superiores a 20% do peso corporal ao longo de cerca de nove meses de tratamento. Por esse motivo, é considerada hoje a opção mais eficaz disponível para emagrecimento.
Ela age ao imitar a ação de dois hormônios naturais do corpo: o GIP, que estimula a liberação de insulina e ajuda a reduzir a glicose no sangue, e o GLP-1, que retarda o esvaziamento do estômago e aumenta a sensação de saciedade. Com isso, há diminuição do apetite e da ingestão de alimentos.

Já a semaglutida e a liraglutida seguem como as substâncias mais conhecidas e utilizadas. Elas estão presentes em medicamentos como Ozempic e Wegovy (semaglutida) e Victoza e Saxenda (liraglutida). A semaglutida também existe na forma oral, no medicamento Rybelsus.
A liraglutida é aplicada diariamente, enquanto a semaglutida é usada uma vez por semana. Estudos mostram que os medicamentos podem levar a uma redução média de cerca de 6% do peso corporal em 12 semanas, embora os resultados variem conforme o perfil do paciente e o tempo de uso.

Essas duas substâncias atuam ao imitar o hormônio GLP-1, produzido naturalmente pelo organismo e ligado ao controle da fome. Esse hormônio age no cérebro, especialmente no hipotálamo, reduzindo o apetite e aumentando a saciedade. Diferentemente do GLP-1 natural, que é rapidamente inativado no corpo, os medicamentos foram desenvolvidos para resistir à ação dessa enzima, prolongando seus efeitos.

Especialistas reforçam que, apesar dos resultados, essas canetas não devem ser usadas sem prescrição e acompanhamento médico. O tratamento precisa fazer parte de uma estratégia mais ampla, que inclua mudanças de hábitos, alimentação adequada e avaliação individual dos riscos e benefícios.

A Anvisa orienta que consumidores desconfiem de produtos vendidos fora de farmácias ou sem registro no órgão. O uso de medicamentos irregulares pode trazer efeitos colaterais graves e comprometer a saúde.

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