Vacinação corta pela metade casos graves de bronquiolite em bebês

Imunização de gestantes no SUS reduziu em 52,5% as internações por VSR em menores de seis meses.

A vacinação de gestantes contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) reduziu em 52,5% os casos graves de bronquiolite e outras complicações respiratórias em bebês menores de seis meses, segundo dados apresentados pelo Ministério da Saúde. A queda ocorre após a incorporação do imunizante ao Sistema Único de Saúde (SUS), no fim de 2025.

Foto: Ed Alves CB/DA Press
Vacinação de gestantes reduziu em mais de 50% os casos graves de bronquiolite em bebês menores de seis meses.

Os números foram divulgados durante a 7ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Tripartite (CIT) e mostram que os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nessa faixa etária caíram de 14.061 no primeiro semestre de 2025 para 6.674 no mesmo período deste ano.

Desde que passou a integrar o calendário do SUS, a vacina já foi aplicada em mais de 1,2 milhão de gestantes. De acordo com o Ministério da Saúde, a estratégia evitou aproximadamente 6,8 mil casos graves entre crianças menores de seis meses.

O estudo aponta que o maior impacto foi registrado justamente no grupo mais vulnerável ao VSR. Entre crianças de faixas etárias mais elevadas, a redução das ocorrências variou entre 8% e 13%.

Administrada a partir da 28ª semana de gestação, a vacina estimula a produção de anticorpos que são transferidos ao bebê ainda durante a gravidez, oferecendo proteção nos primeiros meses de vida, período de maior risco para complicações respiratórias.

Segundo o pediatra Thallys Ramalho, o VSR é o principal causador da bronquiolite em crianças pequenas e costuma provocar aumento expressivo na demanda por atendimentos pediátricos durante os períodos de maior circulação do vírus.

Com a redução dos casos graves, houve menor necessidade de internações, uso de oxigênio e ocupação de leitos de enfermaria e UTI pediátrica, além de diminuir o sofrimento das famílias.

O especialista orienta que a vacinação seja realizada com antecedência em relação ao parto. A recomendação é manter um intervalo mínimo de duas semanas entre a aplicação da dose e o nascimento, permitindo a formação e a transferência adequada dos anticorpos ao bebê.

Além da vacinação das gestantes, o SUS também oferece o nirsevimabe, anticorpo monoclonal destinado a recém-nascidos prematuros e crianças de até 23 meses com maior risco de desenvolver formas graves da doença. O medicamento fornece proteção imediata e pode prevenir complicações por até seis meses.

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