A Universidade Federal do Piauí (UFPI), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (FAPEPI) e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) avançam na articulação com o Centro de Inteligência em Agravos Tropicais, Emergentes e Negligenciados (CIATEN) para aproximar a produção científica das decisões na área da saúde pública. A iniciativa busca organizar uma rede de cooperação para subsidiar políticas públicas com pesquisas e evidências científicas.
A articulação ganhou força durante uma visita da reitora da UFPI, Nadir do Nascimento Nogueira, à sede do CIATEN, instalada no Centro de Ciências da Saúde (CCS/UFPI), na Avenida Frei Serafim, em Teresina. O centro é vinculado ao Instituto de Doenças do Sertão (IDS).
Durante a agenda, a comitiva conheceu laboratórios e equipamentos utilizados nas pesquisas, incluindo plataformas de sequenciamento genético e citometria de fluxo. A estrutura é voltada a estudos relacionados à prevenção, ao diagnóstico e ao enfrentamento de doenças que atingem a população do Piauí.
Doenças e problemas monitorados
O CIATEN reúne pesquisas sobre doenças tropicais negligenciadas, como hanseníase, leishmaniose visceral e doença de Chagas, além de arboviroses como dengue, chikungunya e zika. O centro também acompanha agravos epidemiológicos emergentes.
Outra frente envolve acidentes de motocicleta, que atingem principalmente a população jovem e provocam impactos sobre o sistema público de saúde. Há ainda estudos voltados à produção de sínteses de evidências sobre doenças determinadas por fatores sociais.
Segundo o professor Carlos Henrique Nery Costa, fundador do CIATEN, a proposta é produzir conhecimento que possa ser utilizado pelos gestores públicos na formulação de políticas.
“O CIATEN é um grupo de investigadores articulados para apoiar os governos na elaboração de políticas públicas baseadas em evidências. Para isso, desenvolvemos investigação original e produzimos sínteses bibliográficas para os gestores públicos”, afirmou.
O trabalho do centro também inclui ações de ensino e inovação. Entre elas estão a elaboração de materiais educativos para escolas, a capacitação de profissionais e a criação de painéis digitais para acompanhamento epidemiológico, desenvolvidos em parceria com o Departamento de Computação e Inteligência Artificial da UFPI.
Recursos e demandas do Estado
Na avaliação da reitora Nadir Nogueira, o desafio é fazer com que o conhecimento produzido pela universidade tenha impacto direto na sociedade. Ela defendeu uma maior integração entre a academia e o Governo do Estado para que as pesquisas sejam convertidas em ações na área da saúde.
O encontro contou com a participação do presidente da FAPEPI, João Xavier da Cruz Neto, que apresentou investimentos destinados a editais e ao financiamento de pesquisas. Entre as iniciativas apoiadas está o Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), que contempla projetos do CIATEN.
Também participou da agenda o superintendente de Gestão da Sesapi, Jonatas Melo, responsável por acompanhar a apresentação e discutir a relação entre as demandas da rede estadual de saúde e as soluções desenvolvidas pelo centro.
A reunião contou ainda com a superintendente de Comunicação Social da UFPI e pesquisadora do CIATEN, Jacqueline Dourado; a prefeita universitária, Cristiane Leite; e o diretor do CCS, professor Arquimedes Cardoso.
A aproximação entre universidade, órgãos de fomento e gestão estadual estabelece uma frente de cooperação para direcionar pesquisas às necessidades da saúde pública no Piauí.