O Piauí tem 850 novos casos de câncer de mama feminina estimados para 2026, segundo projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Em todo o Brasil, a estimativa é de 78.610 casos anuais no triênio de 2026 a 2028. Os números reforçam a importância do rastreamento e do diagnóstico precoce, que podem ampliar as possibilidades de tratamento e contribuir para melhores resultados. Mesmo sem sintomas aparentes, as mulheres devem estar atentas às recomendações de acompanhamento e procurar orientação profissional para avaliar a necessidade dos exames.
A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama e pode identificar alterações antes que sejam percebidas pela própria paciente. Já a ultrassonografia mamária auxilia na investigação de nódulos e de alterações encontradas em outros exames, sendo especialmente útil em situações específicas, como na avaliação de mamas densas. Segundo o médico ultrassonografista Thiago Moraes Sousa, professor da Pós-Graduação em Ultrassonografia Geral da Afya Educação Médica Teresina, os exames de imagem são fundamentais para detectar sinais suspeitos ainda nas fases iniciais da doença.
O especialista explica que os dois métodos possuem funções complementares. Enquanto a mamografia utiliza raios X e pode identificar alterações como microcalcificações, a ultrassonografia emprega ondas sonoras e ajuda a diferenciar nódulos sólidos de cistos. O ultrassom, no entanto, não substitui a mamografia no rastreamento de rotina. A escolha dos exames deve considerar fatores como idade, histórico clínico e familiar, risco individual e resultados anteriores. Mulheres com histórico importante de câncer de mama ou ovário na família, alterações genéticas associadas à doença ou exposição à radioterapia torácica em idade jovem podem precisar de acompanhamento individualizado.
No Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rastreamento a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Para pessoas de outras faixas etárias ou com risco aumentado, a indicação deve ser avaliada por um profissional de saúde, considerando os benefícios e os possíveis riscos. O médico alerta que a ausência de nódulos ou de outros sintomas não descarta a doença, já que o câncer de mama pode se desenvolver sem sinais perceptíveis no início. Por isso, seguir as orientações de rastreamento e investigar alterações suspeitas são medidas importantes para favorecer a identificação precoce e o acesso ao tratamento adequado.