Irritabilidade e isolamento podem indicar depressão em crianças e adolescentes

Mudanças persistentes no comportamento e queda no rendimento escolar exigem atenção de pais e professores

Mudanças frequentes de comportamento, como irritabilidade, isolamento social, crises de choro e perda de interesse por atividades antes prazerosas, podem indicar sinais de depressão em crianças e adolescentes. Muitas vezes confundidas com características próprias de cada fase do desenvolvimento, essas alterações precisam ser observadas quando se tornam persistentes e começam a prejudicar a rotina. O alerta é do professor Fabrício Otoboni, do curso de Psicologia da Wyden, que destaca a importância da atenção de familiares e educadores para identificar precocemente possíveis sinais de sofrimento emocional.

Foto: Reprodução | Divulgação

De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão atinge 1,3% dos adolescentes entre 10 e 14 anos e 3,4% daqueles com idade entre 15 e 19 anos. Entre crianças menores, o transtorno pode se manifestar por meio de alterações no sono e no apetite, desinteresse por brincadeiras, dores de cabeça e de barriga recorrentes. Já na adolescência, sentimentos de vazio, baixa autoestima, desânimo e afastamento do convívio social podem se tornar mais evidentes. Segundo Otoboni, é necessário observar se o comportamento mudou em relação ao habitual, por quanto tempo os sintomas permanecem e quais impactos provocam na vida do jovem.

O pediatra Rafael Costa, professor de Medicina do Instituto de Educação Médica (IDOMED), também chama atenção para manifestações físicas que podem estar relacionadas ao sofrimento psicológico. Dores recorrentes, dificuldades para dormir e alterações alimentares precisam ser investigadas para identificar possíveis causas orgânicas ou emocionais. A avaliação médica permite acompanhar o desenvolvimento da criança e, quando necessário, encaminhá-la para atendimento especializado. A persistência de sintomas como humor deprimido e perda de interesse por pelo menos duas semanas, acompanhados de prejuízos na rotina, é um dos critérios considerados na avaliação clínica. No entanto, situações envolvendo automutilação, pensamentos suicidas ou outros comportamentos de risco exigem atendimento imediato, sem necessidade de esperar esse período.

A família e a escola desempenham papel fundamental na identificação e no acolhimento de crianças e adolescentes que apresentam sinais de sofrimento emocional. A orientação é manter um ambiente seguro para o diálogo, ouvir sem julgamentos e evitar minimizar os sentimentos com expressões como "isso é coisa da idade" ou "é só uma fase". Hábitos como dormir adequadamente, praticar atividades físicas, manter relações sociais e reservar momentos para o lazer também contribuem para o bem-estar emocional. O uso excessivo de telas deve ser acompanhado, principalmente quando prejudica o descanso e a convivência. O diagnóstico precisa ser realizado por profissionais qualificados, e o tratamento pode envolver acompanhamento psicológico e, conforme a necessidade de cada paciente, atendimento psiquiátrico.

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