Atletismo: Em Timon, medalhista olímpico começa a desenvolver projeto social

Projeto Cidadão Olímpico já atende crianças no Estádio Miguel Lima em Timon

Quando esteve de passagem por Teresina em 2016, o medalhista olímpico Claudio Roberto deixou bem claro o sonho de retornar ao Piauí e ajudar na formação de jovens atletas nas pistas. Quase dois anos depois, Claudio retornou e trouxe junto com ele o projeto Cidadão Olímpico – Correndo na Frente que desenvolvia na cidade de Jaú, interior de São Paulo. Morando em Teresina a cerca de quatro meses, Claudio não demorou a fazer o projeto funcionar no Piauí.

Em fase inicial, há cerca de duas semanas, o projeto está instalado em Timon no Estádio Miguel Lima. O objetivo principal do projeto é a parte social. Como forma de desenvolvimento físico, mental e mostrar o fundamental papel do esporte na vida de uma criança, Claudio começa a desenvolver os primeiros passos desse projeto.

É importante porque é a realidade do atletismo no Brasil. A gente sempre busca isso, o resgate do atletismo na escola. A gente não tem muita atividade física e a gente procura os alunos para fazerem atividade no horário contrário a escola. Então é uma parte social que está ajudando na educação, na vida social e na qualidade de vida dessas crianças e adolescentes e a gente se sente na obrigação, é nosso dever, tá ajudando a difundir o atletismo no Brasil, afirmou.

 

Para desenvolver o projeto ele conta com a parceria do treinado Francisco Igreja, que há anos vem desenvolvendo o atletismo na região. Como o estádio já abrigava uma escolinha, hoje atletas iniciantes e atletas mais experientes, se unem em treinos de segunda a sexta. Com o olhar de quem a anos desenvolve o esporte piauiense, Igreja mira os benefícios da nova parceria.

O grupo já estava formado, mas como o Cláudio estava vindo e ele tinha interesse em fazer um núcleo em Timon. A gente tá esperando que com isso venha o beneficio. Os meninos já recebem lanche, com isso estamos esperando chegar o material, mas a gente espera que tenha benefício para essas crianças que são realmente precisadas. Eles necessitam desse apoio para melhorar. Você vê ai os meninos todos carentes, necessitados de material e com grandes resultados.

Irmãs Maria Vitória e Camila Eduarda
Irmãs Maria Vitória e Camila Eduarda

E do desenvolvimento do projeto, sempre tem aqueles que começam a querer algo mais. Há três anos treinando atletismo, Maria Vitória, de 13 anos, é uma das veteranas desse time. Mesmo com a pouca idade, ela já consegue enxergar o atletismo como algo para vida. A convite da prima, que hoje não treina mais, Maria Vitória foi e ficou. Não parou mais. Salto e quer continuar saltando. Ela só ainda não percebeu que tem resistência para mais.

Entrei porque minha prima veio. Ela vinha todos os dias. Ela me chamou ai. Acabou que eu vim, Igreja me chamou para treinar e eu comecei. Não parei mais. Eu acho que vou levar para frente. Tenho planejamento para ir muito longe. Eu gosto muito do atletismo. Não sei explicar não. Eu gosto muito de barreira

Maria Vitória tem uma irmã mais velha. Camila Eduarda, 17 anos, foi influenciada pela irmã a treinar atletismo. Hoje ela espera melhorar e crescer cada vez mais nas pistas.

A minha irmã me chamou para vir treinar, eu enrolei ai depois que eu vim. Fui me desenvolvendo aos poucos e até hoje estou aqui. Eu posso melhorar bastante se eu quiser e isso é muito bom para mim. Eu nem sabia o que era atletismo antes. Depois me interessei e fiz amizade aqui. Eu espero melhorar cada vez mais para dar mais orgulho para minha família e para o meu treinador, destacou.

E vendo empolgação dos atletas, Claudio, como campeão olímpico, espera que com o desenvolvimento social venham as conquistas.

Entramos com intuito social, mas não tem jeito. A gente que já foi para Olimpíada tem a ânsia de descobrir um novo talento, de querer que ele vá também para Olimpíada um dia, de querer que ele siga nosso caminho. Então a gente fica nessa expectativa também. Sempre falamos daquela parte social, mas no fundo tem também aquela coisa de querer descobrir um grande talento e levar eles a seguir nosso caminho também, destacou Claudio.

Como forma de agradecer tudo que o atletismo fez por ele, Claudio Roberto pretende expandir o projeto. A meta será atender jovens na Universidade Federal e Estadual do Piauí, e na sequência em bairros de Teresina. Igreja compartilha da ideia e quer ver cada vez mais o desenvolvimento do atletismo.

A gente tem um trabalho para no próximo ano incluir a escola. Porque tá tudo na escola. Para você ter uma ideia as escolas daqui não conhecem o atletismo. Acham que é só brincadeira. Os diretores não se interessam. Não sabem que aqui é um instrumento que combate à droga, o ociosismo e que poderia ajudar de todas as formas na ociosidade desde aluno. Varias coisas que só vão trazer benefícios, avaliou.

Atualmente para participar do projeto basta se dirigir ao Estádio Miguel Lima, em Timon, de segunda a sexta, das 16h30 às 18 horas.

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