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“Um ato de desumanidade”, diz jornalista Zózimo Tavares sobre prisão de Arimateia Azevedo

Colunista do Portal AZ está preso há quarenta e dois dias sob censura

O jornalista Zózimo Tavares criticou a decisão do Tribunal de Justiça do Piauí de mandar para o presídio o jornalista Arimatéia Azevedo. O julgamento ocorreu ontem (22). 

Jornalista Arimatéia Azevedo (Foto: Wilson Nanaia/Portal AZ)

Em texto publicado na manhã desta quinta-feira (23) nas redes sociais, Zózimo chamou de "ato de desumanidade" a decisão do Poder Judiciário piauiense. 

Veja o texto na íntegra:

O CASO ARIMATÉIA AZEVEDO - Afeito à síntese, não consegui ser breve. Mas vamos lá.

Treinado a acreditar nas instituições, até o último momento esperei que o Tribunal de Justiça do Piauí não referendasse a pantomina da prisão do jornalista Arimatéia Azevedo.

Por que a chamo de pantomima? Alguém conhece por aqui outro espetáculo armado em torno da prisão de um jornalista?

Outra: alguém já ouviu falar em mais alguém preso no Estado sob a acusação de extorsão?

A prisão

Pois é! O caso Arimatéia Azevedo começou pela prisão do investigado, sem que a ele tenha sido oferecida a mínima chance de defesa. Então, só por essas, acreditei que o Tribunal de Justiça pudesse fazer o processo andar dentro do leito da tradição legal. Mas havia ainda outros motivos que imaginei pudessem ser levados em conta pelos desembargadores da 2ª Câmara Criminal Especializada do TJ. Um é que o acusado está preso há mais de 40 dias e o inquérito policial já foi encerrado. Outro é que ele tem 50 anos de profissão, endereço fixo e não ofereceu qualquer dano ao processo.

E a Covid-19?

Além disso, há poucas semanas, a Justiça do Piauí mandou para casa quase 500 presos. Tomou diligentemente a providência para tentar protegê-los do vírus mortal da Covid-19. Diante de tudo isso, imaginei, então, que mandar soltar o jornalista ou mantê-lo em prisão domiciliar não seria qualquer privilégio. Até porque ele se encontra no grupo de alto risco de contrair a Covid-19, seja pela idade, seja como portador de várias comorbidades. Ao invés disso, porém, o Tribunal retrocedeu. Não relaxou a prisão e ainda mandou o jornalista de volta para a cadeia. Ou seja, ele foi reconhecido pela Câmara Especializada como bandido de altíssima periculosidade, muito maior que a dos que a Justiça mandou soltar em massa, entre eles assassinos, assaltantes, traficantes e outros bandidos perigosos. A decisão de ontem foi, portanto, antes de tudo, um ato de desumanidade.

Massacre

A Justiça do Piauí já pôs o jornalista na roda uma vez – há mais de dez anos, e não foi por extorsão – e ele só voltou a ter liberdade por decisão do Superior Tribunal de Justiça.

O que se faz com o jornalista Arimatéia Azevedo é, no fundo, uma intimidação a toda a categoria. Mais que isso: é um embargo ao livre exercício da profissão, à Constituição do Brasil e à democracia.

O recado que fica para todos é um só: é bom evitar inimizade ou diferenças com os poderosos do Piauí. Só falar bem. De preferência, bajular. E bajular muito, chegando mesmo a babar. Caso contrário, segue a via crucis do Arimatéia Azevedo.

Justiça ou vingança?

A acusação criminal, para quem a suporta, é quase insuportável... E sempre deixa sequelas...

O que se intenta contra Arimatéia Azevedo não é apenas o assassinato da reputação moral e profissional de um dos jornalistas mais combativos do Brasil, mas o seu massacre psicológico e físico.

Cabe a indagação: estarão verdadeiramente operando a justiça ou apenas exercendo vingança pública para saciar o ódio de uma casta de intocáveis?

Que o jornalista Arimatéia Azevedo encontre forças para suportar com firmeza essa contrariedade e grave injustiça de sua vida!

“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça!”

A injustiça é o sofrimento por causa da Justiça omissa ou usada indevidamente!

Apesar de tudo, a justiça, com todas as imperfeições que possa ter, é uma das instituições mais perfeitas, porque se faz em várias etapas e em momentos diversos, com a participação de diferentes julgadores.

No Caso Arimatéia Azevedo, a justiça será feita!

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Estamos impedidos de contar a versão de Arimateia Azevedo sobre os fatos que o levaram à prisão    

Jornalista é preso depois de denunciar profissional liberal em Teresina    

Depois de seis dias preso, Justiça concede prisão domiciliar ao jornalista Arimatéia Azevedo    

Sindicato dos Jornalistas protesta contra envio de Arimateia Azevedo para presídio    

O jornalista Zózimo Tavares criticou a decisão do Tribunal de Justiça do Piauí de mandar para o presídio o jornalista Arimatéia Azevedo. O julgamento ocorreu ontem (22). 

Jornalista Arimatéia Azevedo (Foto: Wilson Nanaia/Portal AZ)

Em texto publicado na manhã desta quinta-feira (23) nas redes sociais, Zózimo chamou de "ato de desumanidade" a decisão do Poder Judiciário piauiense. 

Veja o texto na íntegra:

O CASO ARIMATÉIA AZEVEDO - Afeito à síntese, não consegui ser breve. Mas vamos lá.

Treinado a acreditar nas instituições, até o último momento esperei que o Tribunal de Justiça do Piauí não referendasse a pantomina da prisão do jornalista Arimatéia Azevedo.

Por que a chamo de pantomima? Alguém conhece por aqui outro espetáculo armado em torno da prisão de um jornalista?

Outra: alguém já ouviu falar em mais alguém preso no Estado sob a acusação de extorsão?

A prisão

Pois é! O caso Arimatéia Azevedo começou pela prisão do investigado, sem que a ele tenha sido oferecida a mínima chance de defesa. Então, só por essas, acreditei que o Tribunal de Justiça pudesse fazer o processo andar dentro do leito da tradição legal. Mas havia ainda outros motivos que imaginei pudessem ser levados em conta pelos desembargadores da 2ª Câmara Criminal Especializada do TJ. Um é que o acusado está preso há mais de 40 dias e o inquérito policial já foi encerrado. Outro é que ele tem 50 anos de profissão, endereço fixo e não ofereceu qualquer dano ao processo.

E a Covid-19?

Além disso, há poucas semanas, a Justiça do Piauí mandou para casa quase 500 presos. Tomou diligentemente a providência para tentar protegê-los do vírus mortal da Covid-19. Diante de tudo isso, imaginei, então, que mandar soltar o jornalista ou mantê-lo em prisão domiciliar não seria qualquer privilégio. Até porque ele se encontra no grupo de alto risco de contrair a Covid-19, seja pela idade, seja como portador de várias comorbidades. Ao invés disso, porém, o Tribunal retrocedeu. Não relaxou a prisão e ainda mandou o jornalista de volta para a cadeia. Ou seja, ele foi reconhecido pela Câmara Especializada como bandido de altíssima periculosidade, muito maior que a dos que a Justiça mandou soltar em massa, entre eles assassinos, assaltantes, traficantes e outros bandidos perigosos. A decisão de ontem foi, portanto, antes de tudo, um ato de desumanidade.

Massacre

A Justiça do Piauí já pôs o jornalista na roda uma vez – há mais de dez anos, e não foi por extorsão – e ele só voltou a ter liberdade por decisão do Superior Tribunal de Justiça.

O que se faz com o jornalista Arimatéia Azevedo é, no fundo, uma intimidação a toda a categoria. Mais que isso: é um embargo ao livre exercício da profissão, à Constituição do Brasil e à democracia.

O recado que fica para todos é um só: é bom evitar inimizade ou diferenças com os poderosos do Piauí. Só falar bem. De preferência, bajular. E bajular muito, chegando mesmo a babar. Caso contrário, segue a via crucis do Arimatéia Azevedo.

Justiça ou vingança?

A acusação criminal, para quem a suporta, é quase insuportável... E sempre deixa sequelas...

O que se intenta contra Arimatéia Azevedo não é apenas o assassinato da reputação moral e profissional de um dos jornalistas mais combativos do Brasil, mas o seu massacre psicológico e físico.

Cabe a indagação: estarão verdadeiramente operando a justiça ou apenas exercendo vingança pública para saciar o ódio de uma casta de intocáveis?

Que o jornalista Arimatéia Azevedo encontre forças para suportar com firmeza essa contrariedade e grave injustiça de sua vida!

“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça!”

A injustiça é o sofrimento por causa da Justiça omissa ou usada indevidamente!

Apesar de tudo, a justiça, com todas as imperfeições que possa ter, é uma das instituições mais perfeitas, porque se faz em várias etapas e em momentos diversos, com a participação de diferentes julgadores.

No Caso Arimatéia Azevedo, a justiça será feita!

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