1. Editorias
  2. Geral
  3. Violência contra mulheres: a ‘pandemia na sombra’ da covid-19
Publicidade

Violência contra mulheres: a ‘pandemia na sombra’ da covid-19

No 1º semestre, a Libéria registrou aumento de 50% nos casos de violência de gênero

Nos últimos meses, aumentaram os casos de violência, abuso sexual e feminicídios na África e no mundo. E este aumento pode estar, em parte, ligado à covid-19. A ONU (Organização das Nações Unidas) já chama de “pandemia na sombra” à violência contra mulheres.

Violência contra mulheres: a ‘pandemia na sombra’ da covid-19 (Foto:Ethan McArthur )

No 1º semestre, a Libéria registrou aumento de 50% nos casos de violência de gênero: de janeiro a junho mais de 600 casos foram registrados. Em todo o ano de 2018, foram 803.

Na Nigéria, a violência sexual também aumentou durante o confinamento: em junho, os casos de duas jovens violadas e mortas chocaram o país. Já no Quênia, segundo a imprensa local, quase 4.000 estudantes engravidaram durante a suspensão das aulas presenciais nas escolas –por terem sido violadas por familiares ou por policiais.

“A situação já era ruim para as mulheres mesmo antes do coronavírus. A pandemia apenas levantou o véu sobre aquilo que não víamos. Ajudou a abrir os olhos dos governos para a situação real”, avalia Jean Paul Murunga, da organização de direitos das mulheres Equality Now.

Em maio, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, disse que “o flagelo da violência de gênero” continuava a “assolar” o país, enquanto “os homens declaram guerra às mulheres”.

De acordo com as últimas estatísticas da polícia sul-africana, uma mulher é assassinada a cada 3 horas. O país tem em vigor desde maio 1 Plano Estratégico Nacional para a responsabilização dos culpados, além de prevenção, proteção, apoio e tratamento às vítimas.

Mas, até agora, no geral, a luta contra a violência de gênero tem sido travada de forma bastante tímida no continente africano, diz o ativista queniano Jean Paul Murunga.

“Alguns governos, como o do Quênia, criaram 1 comitê nacional para a violência com base no gênero. Mas outros fizeram declarações oficiais, comissões, mas não tomaram as ações concretas necessárias para resolver a situação”, afirma.

Tradição

Com a campanha on-line “I decided to live” (em português, “Decidi viver”), a jornalista camaronesa Kitty Chrys-Tayl lançou 1 apelo às autoridades. “A questão do sexismo deve ser abordada nas escolas, a partir da primária. Para isso, é preciso vontade política. Porque tudo vem daí, os danos causados pela violência de gênero e a cultura da violação”, analisa.

Durante o confinamento imposto pela pandemia, as mulheres ficaram à mercê dos parceiros, explica Lesley Ann Foster. O presidente da organização internacional de proteção dos direitos das mulheres Masimanyane, na África do Sul, diz que as causas da violência são profundas e permanecem intactas.

“Drogas e álcool são as forças por trás da violência de gênero, mas o problema subjacente é o estatuto inferior das mulheres na sociedade. Tem a ver com o patriarcado. As normas e os padrões sociais são tão frágeis que as mulheres são simplesmente mortas, violadas, espancadas e descartadas. O país não lida de forma satisfatória com o tema nem faz pressão suficiente para a igualdade de gênero”, explica.

Solução

O ativista Jean Paul Murunga concorda com a visão de que vários países africanos têm uma tradição patriarcal. “Durante muito tempo, mulheres e meninas não eram consideradas iguais perante o sexo masculino. Portanto, questões que as afetam demoram mais a serem abordadas”, lembra.

“Quando 1 governo é composto por homens, eles raramente dão prioridade a assuntos que não lhes dizem respeito diretamente. As prioridades são o setor de infraestrutura, as estradas, as Forças Armadas e não o orçamento para a saúde e planeamento familiar”, complementa.

A solução, segundo os ativistas, passa por uma maior representatividade no poder: mais mulheres nos governos para falarem em nome das mulheres africanas.

Nos últimos meses, aumentaram os casos de violência, abuso sexual e feminicídios na África e no mundo. E este aumento pode estar, em parte, ligado à covid-19. A ONU (Organização das Nações Unidas) já chama de “pandemia na sombra” à violência contra mulheres.

Violência contra mulheres: a ‘pandemia na sombra’ da covid-19 (Foto:Ethan McArthur )

No 1º semestre, a Libéria registrou aumento de 50% nos casos de violência de gênero: de janeiro a junho mais de 600 casos foram registrados. Em todo o ano de 2018, foram 803.

Na Nigéria, a violência sexual também aumentou durante o confinamento: em junho, os casos de duas jovens violadas e mortas chocaram o país. Já no Quênia, segundo a imprensa local, quase 4.000 estudantes engravidaram durante a suspensão das aulas presenciais nas escolas –por terem sido violadas por familiares ou por policiais.

“A situação já era ruim para as mulheres mesmo antes do coronavírus. A pandemia apenas levantou o véu sobre aquilo que não víamos. Ajudou a abrir os olhos dos governos para a situação real”, avalia Jean Paul Murunga, da organização de direitos das mulheres Equality Now.

Em maio, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, disse que “o flagelo da violência de gênero” continuava a “assolar” o país, enquanto “os homens declaram guerra às mulheres”.

De acordo com as últimas estatísticas da polícia sul-africana, uma mulher é assassinada a cada 3 horas. O país tem em vigor desde maio 1 Plano Estratégico Nacional para a responsabilização dos culpados, além de prevenção, proteção, apoio e tratamento às vítimas.

Mas, até agora, no geral, a luta contra a violência de gênero tem sido travada de forma bastante tímida no continente africano, diz o ativista queniano Jean Paul Murunga.

“Alguns governos, como o do Quênia, criaram 1 comitê nacional para a violência com base no gênero. Mas outros fizeram declarações oficiais, comissões, mas não tomaram as ações concretas necessárias para resolver a situação”, afirma.

Tradição

Com a campanha on-line “I decided to live” (em português, “Decidi viver”), a jornalista camaronesa Kitty Chrys-Tayl lançou 1 apelo às autoridades. “A questão do sexismo deve ser abordada nas escolas, a partir da primária. Para isso, é preciso vontade política. Porque tudo vem daí, os danos causados pela violência de gênero e a cultura da violação”, analisa.

Durante o confinamento imposto pela pandemia, as mulheres ficaram à mercê dos parceiros, explica Lesley Ann Foster. O presidente da organização internacional de proteção dos direitos das mulheres Masimanyane, na África do Sul, diz que as causas da violência são profundas e permanecem intactas.

“Drogas e álcool são as forças por trás da violência de gênero, mas o problema subjacente é o estatuto inferior das mulheres na sociedade. Tem a ver com o patriarcado. As normas e os padrões sociais são tão frágeis que as mulheres são simplesmente mortas, violadas, espancadas e descartadas. O país não lida de forma satisfatória com o tema nem faz pressão suficiente para a igualdade de gênero”, explica.

Solução

O ativista Jean Paul Murunga concorda com a visão de que vários países africanos têm uma tradição patriarcal. “Durante muito tempo, mulheres e meninas não eram consideradas iguais perante o sexo masculino. Portanto, questões que as afetam demoram mais a serem abordadas”, lembra.

“Quando 1 governo é composto por homens, eles raramente dão prioridade a assuntos que não lhes dizem respeito diretamente. As prioridades são o setor de infraestrutura, as estradas, as Forças Armadas e não o orçamento para a saúde e planeamento familiar”, complementa.

A solução, segundo os ativistas, passa por uma maior representatividade no poder: mais mulheres nos governos para falarem em nome das mulheres africanas.