Suécia arquiva investigação por estupro contra fundador do WikiLeaks

Polícia britânica diz ter um mandado de prisão vigente

A procuradoria sueca afirmou nesta sexta-feira (19) que foi suspensa a investigação preliminar sobre uma acusação de estupro contra o fundador do WikiLeaks. No entanto, Julian Assange, que está refugiado na Embaixada do Equador em Londres desde 2012, ainda não pode deixar o imóvel, porque a polícia britânica tem um mandado de prisão vigente contra ele.

A promotora-chefe da Suécia, Marianne Ny, disse em uma coletiva de imprensa que a sua decisão de suspender a investigação preliminar havia sido feita porque "todas as possibilidades de avançar a investigação estão esgotadas". No entanto, ela ressaltou que, se Assange voltar à Suécia antes agosto de 2020 (prazo para a prescrição do crime), a investigação pode ser reaberta, segundo a CNN.

O advogado de Assange, Per Samuelson, disse que o arquivamento da investigação é uma "vitória total", de acordo com a Reuters.

O australiano ainda não se pronunciou sobre a decisão sueca, mas twittou uma foto antiga em que está sorrindo.

Apesar da decisão da promotoria sueca, a mulher que denunciou Assange por estupro disse, por meio de sua advogada, que manterá sua acusação. "É um escândalo que um suposto estuprador possa escapar da justiça e evitar assim os tribunais. Minha cliente está chocada e nenhuma decisão de arquivar o caso pode mudar o fato de que Assange a violentou", afirmou a advogada Elisabeth Fritz à AFP.

Refúgio na embaixada do Equador
 
Assange, de 45 anos, buscou refúgio na Embaixada do Equador em Londres depois de esgotar todos os recursos judiciais no Reino Unido. Recluso em um pequeno apartamento, desde 2012 ele teve que se contentar com algumas aparições públicas em sua varanda.

O fundador do Wikileaks pediu refúgio a Quito para evitar a extradição para a Suécia, onde respondia pela acusação de estupro que teria ocorrido em 2010. O australiano sempre negou ter cometido o estupro e denunciou que a acusação era uma manobra para que ele pudesse ser extraditado posteriormente aos Estados Unidos.
 
Assange teme ser julgado nos Estados Unidos pela divulgação, em 2010, 500 mil documentos confidenciais sobre o Iraque e o Afeganistão, assim como 250 mil comunicações diplomáticas.

Em novembro de 2016, após uma série de complicações no processo, Assange finalmente foi interrogado na embaixada de Londres por um promotor equatoriano na presença de magistrados suecos. O australiano reiterou na ocasião que era inocente e que as relações sexuais com a denunciante em Estocolmo foram consensuais.

Em janeiro de 2017, Assange declarou que aceitaria ser extraditado para os Estados Unidos se o presidente em fim de mandato, Barack Obama, concedesse o indulto a ex-militar americana Chelsea Manning, presa por vazar documentos para o Wikileaks. Ela foi libertada na quarta-feira (17) após receber o indulto.

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