Só em 2026, empréstimos do Piauí já superam R$ 8 bilhões
Entre pedidos à Alepi e autorizações do Senado, gestão petista ultrapassa R$ 8 bilhões em operações de crédito
O Governo do Piauí protagonizou uma sequência intensa de operações de crédito ao longo de 2025. Entre abril e junho, a gestão do governador Rafael Fonteles (PT) solicitou ou obteve autorizações para empréstimos que somam mais de R$ 8 bilhões, envolvendo instituições financeiras nacionais e organismos internacionais. As justificativas incluem investimentos em mobilidade urbana, saúde, infraestrutura rodoviária, saneamento e reestruturação da dívida estadual.
Metrô de Teresina
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Em abril, o governo encaminhou à Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) dois pedidos de empréstimo junto à Caixa Econômica Federal, dentro do Programa Pró-Transporte. As operações somam R$ 175 milhões, sendo uma de R$ 120 milhões e outra de R$ 55 milhões.
Os recursos são destinados à modernização do sistema metroviário de Teresina e à elaboração de estudos para expansão da malha ferroviária, incluindo uma possível integração com o município de Timon (MA).
Já em maio, o Executivo voltou a solicitar recursos para o mesmo sistema, desta vez no valor de R$ 220 milhões, também por meio do Pró-Transporte, para aquisição de novos Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs) e ampliação da capacidade operacional do metrô da capital.
Saúde e estradas
No mesmo período, o governo encaminhou outros dois pedidos de financiamento à Alepi.
O primeiro prevê R$ 698,8 milhões para o Programa de Fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), voltado à modernização da rede estadual de saúde.
O segundo corresponde a US$ 150 milhões para o Programa Estradas Seguras, destinado à recuperação e melhoria da infraestrutura rodoviária do estado.
Ainda em maio, a Alepi aprovou três operações de crédito que totalizam R$ 395 milhões. O único voto contrário foi do deputado estadual Gustavo Neiva (PP).
Operação bilionária com o Banco do Brasil
Paralelamente aos novos pedidos, o governo encaminhou um projeto para alterar a lei que autorizou uma operação de crédito de R$ 4,98 bilhões junto ao Banco do Brasil.
O Executivo classificou a mudança como um ajuste técnico, sem alteração da finalidade do empréstimo. Parlamentares da oposição, porém, questionaram a retirada de uma cláusula de garantia prevista na redação original.
Empréstimos internacionais
O Senado Federal autorizou, em maio, duas operações de crédito externo para o Estado do Piauí.
A primeira foi firmada com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), no valor de 39 milhões de euros — cerca de R$ 228 milhões. Os recursos financiarão o projeto Piauí Verde e Sustentável, voltado à preservação ambiental, gestão de unidades de conservação e promoção do turismo sustentável.
A segunda operação foi contratada junto à Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), no valor de 58 bilhões de ienes, equivalentes a aproximadamente R$ 1,83 bilhão.
Segundo o governo, os recursos serão utilizados para refinanciar passivos existentes e reestruturar a dívida estadual, dentro do programa denominado Piauí Futuro. A operação prevê prazo de pagamento de 336 meses e carência de 24 meses.
Saneamento rural
Em junho, o governo encaminhou à Alepi novo pedido de empréstimo de R$ 95 milhões junto à Caixa Econômica Federal, por meio do programa Saneamento para Todos.
O objetivo é ampliar o acesso ao saneamento básico em comunidades rurais. A proposta prevê beneficiar 3.519 famílias e é apresentada como medida para melhorar indicadores de saúde pública e preservação ambiental.
Cenário fiscal
O governador Rafael Fonteles tem defendido o volume de financiamentos afirmando que as operações respeitam os limites legais de endividamento e que o Piauí liderou os investimentos públicos proporcionais à receita entre os estados brasileiros.
O discurso, entretanto, contrasta com projeções constantes na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027, documento encaminhado pelo próprio governo à Assembleia Legislativa, que aponta crescimento da dívida consolidada e previsão de déficits primários nos próximos exercícios.
O volume das operações também chamou atenção durante a tramitação no Senado Federal. Ao comentar uma das autorizações de crédito, o senador Magno Malta (PL-ES) questionou o montante da operação em moeda japonesa e ironizou: “Quando convertido o iene, o Piauí pediu dois bilhões? É para fazer outro Piauí?”.
Fonte: Portal AZ