Depoimentos apontam que cabeleireira já sofria agressões do ex-namorado

Ela foi até a Delegacia da Mulher para denunciar, mas não conseguiu registrar o Boletim de Ocorrência

As investigações sobre o caso de morte da cabeleireira Aretha Dantas Claro, 32 anos, apontam que ela sofria agressões com frequência por parte do ex-companheiro, Paulo Alves dos Santos Neto, que prestou depoimento à polícia e confessou ser o autor do crime, nesta quarta-feira (16).

Segundo uma testemunha, durante o relacionamento com Aretha, Paulo possuía uma personalidade violenta e ciúme excessivo. A relação entre os dois teria acabado em novembro de 2017 e até então, ele não teria se conformado com a separação o que resultou em um briga. Paulo teria quebrado o farol do carro, além de ter rasgado os documentos e roupas de Aretha.

Aretha Dantas Claro e Paulo Neto (Fotos: reprodução internet)
Aretha Dantas Claro e Paulo Neto (Fotos: reprodução internet)

A mesma testemunha afirmou que a vítima estava hospedada na sua casa e no dia 14 de abril desse ano, Paulo teria levado, de maneira forçada, Aretha até a residência dele, onde ela ficou em cárcere privado e só foi liberada no dia seguinte.

Nesse mesmo dia, a cabeleireira teria se deslocado até a Delegacia da Mulher localizada no Parque Piauí, mas não conseguiu registrar Boletim de Ocorrência por causa da greve dos policiais civis.

Teriam ocorrido tantas agressões, que até os vizinhos de Paulo já estariam se mobilizando para realizar denúncias. “Encontramos muitas marcas no corpo dela, principalmente nos braços. Os vizinhos confirmaram que dentro da casa do investigado, as agressões eram constantes, escutavam muito barulho e que eles [os vizinhos] já estavam querendo fazer algumas denúncias”, detalhou a delegada Luana Alves, responsável pelas investigações.

Revoltado também com o suposto novo relacionamento de Aretha, Paulo chegou a mandar mensagens com teor ameaçador para o atual companheiro da vítima que relatou o ocorrido à polícia. Segundo a delegada, os textos enviados pediam para que o novo namorado de Aretha se afastasse dela.

“Ele acreditava que o relacionamento teve um término, mas que já estavam voltando. O atual companheiro da vítima diz que o investigado teria enviado mensagens e que o teor era de ameaça dizendo que não era pra ele procurar a vítima, que ela já tinha um companheiro que era para ele não interferir na relação deles [Paulo e Aretha]”, detalhou a delegada.

Versão de Paulo Alves

De acordo com a delegada Luana Alves, responsável pelas investigações, Paulo confessou o crime e afirmou que agiu para se defender. “Não tem como caracterizar uma legítima defesa. Ele disse que estava muito embriagado e que não se lembra de muita coisa”, disse Luana Alves.

Durante o interrogatório, o acusado teria afirmado que não chegou a atropelar a vítima, apesar da Perícia Criminal ter encontrado fortes indícios de atropelamento no corpo de Aretha e também no veículo do motorista.

O inquérito policial aguarda apenas os laudos periciais da residência de Paulo Alves, do veículo, do corpo de Aretha Dantas e do próprio investigado.

Mais lidas nesse momento